Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentam convencê-lo a participar do debate da TV Globo, marcado para 1º de outubro, diante do crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas eleitorais. O presidente, no entanto, ainda resiste à ideia, segundo interlocutores.
Os defensores da participação avaliam que o encontro pode ser usado para questionar a preparação de Flávio para a Presidência e estabelecer uma comparação entre a experiência de Lula e a do adversário. Caso o candidato do PL não compareça, aliados do petista também defendem que ele seja chamado de “fujão”.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirma ser favorável à presença de Lula no debate. Segundo ele, o encontro seria uma oportunidade para desgastar a imagem de Flávio e confrontar a apresentação do candidato como um “bom moço”.
Pesquisa Quaest publicada em 21 de setembro mostra Lula com 37% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio aparece com 33%. No segundo turno, o candidato do PL tem 42%, contra 41% do presidente; a margem de erro é de dois pontos percentuais.
Um dos receios de Lula é se tornar o principal alvo dos demais participantes por ser o único candidato identificado com a esquerda. A postura considerada agressiva de Renan Santos, do Missão, também preocupa aliados do presidente.
Pela legislação eleitoral, Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) têm direito de participar do debate. A TV Globo poderá convidar ainda Renan Santos e Romeu Zema (Novo), conforme os critérios de representatividade previstos para o encontro.
Lula também avalia o custo de reservar um dia para a preparação do debate, em vez de participar de atividades de campanha. Na reta final, a agenda preliminar prevê viagens a estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Amazonas e Pará.
Aliados ainda temem que um eventual deslize do presidente às vésperas do primeiro turno prejudique sua campanha em uma eleição considerada apertada. Em 2022, Lula participou dos debates da Band e da TV Globo no primeiro turno.
Fonte: O Globo