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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

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Acordo sobre a Groenlândia permite a Trump apresentar recuo como vitória

Acordo amplia a presença militar dos EUA na Groenlândia, mas não transfere o território e permite que Trump apresente o pacto como uma vitória.

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Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia assinaram na terça-feira, 22 de setembro de 2026, um acordo de segurança que prevê a ampliação da presença militar americana na ilha, sem transferir o território aos Estados Unidos.

O documento abre caminho para a construção de duas novas bases americanas e para o reforço das operações militares dos Estados Unidos na Groenlândia. O texto, porém, não atende à antiga reivindicação do presidente Donald Trump de assumir o controle do território.

Diplomatas envolvidos na negociação disseram que passaram meses redigindo o acordo de dez páginas e aguardaram o momento considerado mais adequado para apresentá-lo a Trump. A estratégia foi oferecer ao presidente elementos suficientes para que ele divulgasse o pacto como uma conquista, apesar de muitas disposições já estarem previstas no acordo de defesa firmado em 1951 e em entendimentos posteriores.

Trump defende a incorporação da Groenlândia aos Estados Unidos desde seu primeiro mandato e afirma que a medida seria necessária para a segurança nacional. A pressão americana aumentou as tensões com a Dinamarca e outros aliados europeus, que temeram a possibilidade de uma ação militar contra o território dinamarquês.

O acordo de 1951 já permitia aos Estados Unidos construir bases em diferentes pontos da Groenlândia. Durante a Guerra Fria, Washington manteve mais de uma dúzia de instalações na ilha, mas muitas foram abandonadas após o aumento dos custos de manutenção e o fim do conflito.

Uma das instalações ainda em operação é a Base Espacial de Pituffik, visitada pelo vice-presidente americano JD Vance em 2025. Na ocasião, ele afirmou que os Estados Unidos precisavam reagir às ambições da China e da Rússia no Ártico.

As reações ao novo acordo foram positivas na Dinamarca e na Groenlândia. Para Naaja Nathanielsen, integrante do Parlamento dinamarquês e de um partido groenlandês favorável à independência, a participação direta da Groenlândia como signatária representa um avanço e pode abrir precedente para uma autonomia maior em temas de política externa.

O texto também prevê que, caso a Groenlândia exerça seu direito à autodeterminação e se torne independente, a Dinamarca e o território deverão trabalhar para que o novo Estado permaneça na Otan.

Fonte: O Globo

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