Os Estados Unidos, a Dinamarca e a Groenlândia assinaram na terça-feira (22) um acordo de segurança que abre caminho para a instalação de duas novas bases americanas na ilha, sem transferir o território para Washington.
Diplomatas levaram meses para elaborar o documento de dez páginas e estruturá-lo de forma que o presidente Donald Trump pudesse apresentá-lo como uma vitória. A Dinamarca e a Groenlândia evitaram enfatizar que o pacto não prevê a transferência territorial, temendo que Trump desistisse do acordo.
Trump defende há anos a incorporação da Groenlândia aos Estados Unidos e já classificou a posse da ilha como necessária por razões de segurança nacional. A pressão americana provocou atritos com a Dinamarca e outros aliados europeus, que temeram até a possibilidade de uma ação militar contra o território, integrante do Reino da Dinamarca e da Otan.
Segundo Mikkel Runge Olesen, pesquisador do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais, o acordo representa uma melhoria moderada para os Estados Unidos, obtida a um custo político elevado. Para ele, as ameaças de Trump causaram danos duradouros às relações com a Dinamarca, a Groenlândia e a Europa.
O pacto de 1951 já permitia aos Estados Unidos construir bases em diferentes pontos da Groenlândia. Durante a Guerra Fria, Washington manteve mais de uma dúzia de instalações na ilha, mas muitas foram abandonadas após o fim do período e devido aos altos custos de manutenção.
A Base Espacial de Pituffik é uma das instalações americanas que permanecem em operação. O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, visitou o local em 2025 e afirmou que o país precisava reagir às ambições da China e da Rússia na região.
Na Dinamarca e na Groenlândia, o acordo foi recebido de forma positiva. A parlamentar dinamarquesa Naaja Nathanielsen destacou que a Groenlândia aparece pela primeira vez, ao lado da Dinamarca, como signatária direta de um acordo internacional juridicamente vinculante.
O documento também prevê que, caso a Groenlândia conquiste a independência, o governo dinamarquês e o governo groenlandês deverão assegurar que o novo Estado permaneça na Otan.
Fonte: O Globo