O perito oficial Pablo Ferrari afirmou, durante o segundo julgamento sobre a morte de Diego Maradona, que o ex-jogador pode ter morrido de Covid-19 e classificou o episódio como uma morte súbita. O depoimento ocorreu em San Isidro, na Argentina.
Ferrari, da Assessoria Pericial de San Isidro, contestou a versão de que Maradona teria passado cerca de 12 horas em agonia. Segundo ele, o ex-jogador sofreu um infarto, uma arritmia e um edema agudo de pulmão que provocou a parada cardíaca em um intervalo de poucos minutos a poucas horas.
O perito afirmou que não encontrou alterações nos exames de função hepática que exigissem uma intervenção médica emergencial. Ele também disse que a Covid-19 poderia evoluir rapidamente e levar à morte em poucas horas.
As conclusões divergem dos resultados da Junta Médica, formada por mais de 20 profissionais, e da tese da acusação, que sustenta que Maradona permaneceu em agonia por aproximadamente 12 horas antes de morrer.
Durante o interrogatório, a acusação questionou a experiência de Ferrari em cardiologia e o fato de a perícia ter sido assinada apenas por ele. O perito respondeu que já realizou mais de 5 mil atuações periciais e afirmou ter conhecimento suficiente para tratar de conceitos da área.
Ferrari também admitiu que não leu integralmente o relatório médico sobre os últimos dias de vida de Maradona, porque algumas partes estavam ilegíveis. O juiz Gaig questionou se ele havia chegado às conclusões sem analisar todo o documento, e o perito confirmou.
O depoimento de Ferrari foi o 74º no segundo julgamento, conduzido pelo Tribunal Oral Criminal nº 7 de San Isidro. Os réus que quiserem prestar depoimento poderão fazê-lo em 29 de setembro; as alegações finais da acusação estão previstas para 8, 13 e 14 de outubro, e as defesas falarão em 20, 21 e 22 de outubro.
Fonte: O Globo