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Um mural de quase 2 mil metros quadrados criado por Eduardo Kobra e instalado em Interlagos, em São Paulo, durante o fim de semana do GP de São Paulo de 2026, reacendeu o debate sobre a concentração de homenagens a Ayrton Senna em relação a outros brasileiros da Fórmula 1.
O tricampeão é retratado ao lado de personagens e símbolos da capital paulista na obra, que fica na curva do Laranjinha e tem 225 metros de comprimento por 8,17 metros de altura. O painel, intitulado "Nós Somos São Paulo", também reúne referências como o Pateo do Collegio, o Estádio do Pacaembu, o Theatro Municipal, a Oca do Ibirapuera, a Catedral da Sé, o edifício do Masp e o Monumento às Bandeiras.
Nas redes sociais e em uma entrevista coletiva em Interlagos, internautas e jornalistas questionaram a ausência de homenagens equivalentes a Nelson Piquet e Emerson Fittipaldi, ambos campeões mundiais, além de Felipe Massa, Rubens Barrichello e José Carlos Pace, vencedores de corridas na categoria.
O jornalista Reginaldo Leme afirmou que todos os pilotos brasileiros que fizeram história na Fórmula 1 deveriam ser lembrados. Ele citou também Pace, que dá nome oficial ao Autódromo de Interlagos, venceu o GP do Brasil de 1975 e morreu em um acidente de helicóptero em 1977.
"Eu acho que é uma coisa meio natural, porque é um grande ídolo da maioria dos brasileiros, mas os outros todos mereciam, inclusive o José Carlos Pace, que dá nome ao circuito", disse Leme. Segundo ele, Piquet, Fittipaldi, Massa e Barrichello também deveriam receber homenagens, porque "o Brasil é Fórmula 1 por causa deles".
O bicampeão Fernando Alonso disse que o Brasil é respeitado pelos grandes campeões, não apenas por Senna. Para o espanhol, o piloto paulista tinha uma capacidade de conexão com o público que o diferenciava, embora Nelson Piquet também tenha conquistado três títulos mundiais.
Alonso também afirmou que Emerson Fittipaldi é conhecido na Espanha e contou que o sobrenome do brasileiro é usado como referência à velocidade em expressões populares. Max Verstappen disse que os três campeões têm personalidades diferentes e que a origem paulista de Senna torna natural uma identificação maior do público local.
Além do novo mural, Interlagos tem uma pintura de corpo inteiro de Senna em uma torre, também criada por Kobra e inaugurada em 2020, e um busto gigante no setor A, inaugurado em 2023 e produzido por Lalalli Senna, sobrinha do piloto.
Segundo a Prefeitura de São Paulo, o novo painel busca retratar Senna não apenas como piloto, mas como cidadão, ao lado de pessoas reais que representam diferentes trajetórias da população paulistana. Entre elas estão a enfermeira Viviane Araujo Passos, o guarda civil Joseilson dos Santos Alves, a gari Daniele Cristina Pedro, o aposentado Adolfo Ferreira da Rocha e a estudante Ana Clara Rodrigues dos Santos.
Fonte: O Globo