O Ministério da Fazenda estima que o gasto público acrescentará 0,8 ponto percentual ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. A pasta projeta alta de 2% para a economia brasileira neste ano, segundo boletim macrofiscal divulgado em 22 de setembro.
De acordo com Rodrigo Toneto, subsecretário de Política Fiscal, o cálculo não representa uma decomposição direta dos 2% de crescimento previstos. Em um cenário contrafactual sem o aumento do gasto público como proporção do PIB, a expansão econômica seria 0,8 ponto percentual menor, afirmou.
Nessa hipótese, o PIB cresceria cerca de 1,2% em 2026. Para 2027, considerando o orçamento enviado, a Fazenda prevê impacto fiscal neutro, com ligeira contração de 0,1 ponto percentual do PIB.
A análise da Secretaria de Política Econômica aponta que o gasto federal contribuiu positivamente para o crescimento na maior parte do período entre 2002 e 2027, mas teve papel secundário na maioria dos anos. Segundo o documento, os efeitos mais determinantes ocorreram em 2009, entre 2014 e 2016 e em 2020.
O ministério também afirma que o impulso do gasto federal diminuiu nos últimos anos. Após contribuir para a expansão em 2023, a política de despesas teria retirado 1 ponto percentual do PIB em 2025, quando a economia cresceu 2,3% apoiada por outros fatores.
A Fazenda ressalva que o cálculo considera apenas o lado das despesas. O efeito líquido da política fiscal também depende da arrecadação e de outros componentes não atribuídos ao gasto público.
Fonte: O Globo