O Ministério da Fazenda estima que o gasto público acrescentará 0,8 ponto percentual ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. A pasta projeta alta de 2% para a economia brasileira neste ano, segundo boletim macrofiscal divulgado nesta terça-feira.
De acordo com o subsecretário de Política Fiscal, Rodrigo Toneto, o cálculo não representa uma decomposição direta dos 2% de crescimento previstos, porque outros fatores também influenciam a atividade econômica.
Em um cenário contrafactual sem o aumento dos gastos como proporção do PIB, a expansão da economia seria 0,8 ponto percentual menor, explicou Toneto. Nesse caso, o crescimento projetado para 2026 seria de aproximadamente 1,2%.
Para 2027, considerando o orçamento enviado, a Fazenda prevê efeito fiscal praticamente neutro, com ligeira contração de 0,1 ponto percentual do PIB.
A análise do ministério mostra que, entre 2002 e 2027, o gasto federal contribuiu positivamente para o crescimento na maior parte dos anos, mas geralmente teve papel secundário. Os períodos em que esse efeito foi mais relevante foram 2009, durante a crise financeira internacional; entre 2014 e 2016, na crise econômica brasileira; e em 2020, por causa da pandemia.
Segundo a Secretaria de Política Econômica, o impulso do gasto federal diminuiu nos últimos anos. Após responder pela maior parte da expansão em 2023, o gasto reduziu seu acréscimo de demanda e, em 2025, retirou 1 ponto percentual do PIB, enquanto a economia cresceu 2,3%.
A Fazenda ressalta que o estudo considera apenas o lado das despesas. Para medir o efeito líquido da política fiscal, também seria necessário avaliar a arrecadação e outros fatores não atribuídos pelo modelo ao gasto público.
Fonte: O Globo