Um grupo de bancos internacionais alertou nesta terça-feira (22) para riscos de golpes, fraudes, vazamento de dados e falta de responsabilização associados ao uso de agentes de inteligência artificial (IA) em compras pela internet.
O alerta consta de um relatório elaborado por instituições como NatWest, Bank of America, ING, Capital One e Commonwealth Bank of Australia. Os bancos afirmam que o desenvolvimento dos sistemas está avançando mais rapidamente do que a criação de padrões de segurança e mecanismos de proteção ao consumidor.
Agentes de IA são ferramentas capazes de pesquisar produtos, comparar opções e concluir transações em nome do usuário. O sistema pode, por exemplo, selecionar um item diferente do esperado, ultrapassar o limite de gasto definido ou encaminhar o consumidor para uma forma de pagamento com menor proteção contra fraudes.
O acesso a dados pessoais, financeiros e de pagamento também é apontado como uma preocupação. Segundo o relatório, ainda há dúvidas sobre como essas informações serão armazenadas e utilizadas e sobre quem deverá responder por eventuais prejuízos quando uma compra automatizada der errado.
Entre as propostas dos bancos estão a obrigação de informar quando um agente de IA participar de uma transação e a divulgação dos critérios usados pelo sistema para tomar decisões. O grupo também defende regras para proteção de dados, liberdade de escolha dos serviços e interoperabilidade entre diferentes plataformas.
A adoção desse tipo de tecnologia já começa a aparecer no comércio. A varejista britânica John Lewis informou que as buscas em seu site originadas por agentes de IA alcançaram 2,5% em setembro, ante 0,3% um ano antes. O dado se refere à etapa de pesquisa de produtos, e não necessariamente a compras concluídas por sistemas automatizados.
Empresas como OpenAI, Anthropic, Google e Meta desenvolvem ferramentas de IA capazes de executar tarefas em nome dos usuários, enquanto varejistas tentam adaptar seus produtos para serem identificados e recomendados por esses sistemas. O relatório prevê discussões com autoridades e formuladores de políticas sobre regras para o chamado comércio por agentes.
Fonte: g1