Um áudio revelado pelo Intercept Brasil expôs uma conversa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, pedindo apoio financeiro para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A gravação gerou desconfiança e irritação entre aliados do senador, que agora questionam a proximidade de Flávio com o dono do Banco Master.
Segundo relatos de pessoas próximas à pré-campanha presidencial de Flávio, o senador havia negado qualquer relação relevante com Vorcaro antes de ser lançado como pré-candidato ao Planalto. No entanto, o áudio, referente à produção do filme “Dark Horse”, indica preocupação com pagamentos atrasados a integrantes da equipe, como o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.
A divulgação da informação pegou a campanha de surpresa, levando a uma reunião de emergência com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho para discutir os impactos políticos e a resposta pública. Durante o encontro, Flávio reafirmou que não havia outros episódios envolvendo Vorcaro e que o caso do filme era o único contato relevante, classificando o risco de novos vazamentos como “zero”.
Apesar da negativa, o episódio gerou desconforto e quebrou a confiança dentro da campanha, que se sentiu surpreendida por uma situação que acreditava não existir. Aliados temem novas revelações e apontam contradições entre o discurso interno e as declarações públicas do senador. A expectativa é que Flávio aprenda com o episódio de ter omitido contatos anteriores com o banqueiro.
A crise também provocou irritação, com aliados considerando que Flávio minimizou sua proximidade com Vorcaro. A avaliação é que o caso ameaça o discurso de integridade e oposição a escândalos associados à política tradicional, um dos principais ativos eleitorais do bolsonarismo. Há preocupação de que o desgaste atinja eleitores de direita mais sensíveis à honestidade e coerência dos candidatos.
O deputado Alberto Fraga (PL) classificou o episódio como um problema de comunicação, defendendo que Flávio deveria ter tornado pública a relação com Vorcaro após o escândalo do Banco Master. Já o deputado Adilson Barroso (PL-SP) saiu em defesa de Flávio, afirmando não ver irregularidade na busca por patrocínio privado para o filme.
Em nota divulgada após a revelação do áudio, Flávio Bolsonaro afirmou que buscava patrocínio privado para um filme e negou qualquer irregularidade na relação com Vorcaro, a quem teria conhecido apenas em dezembro de 2024. O senador declarou não ter oferecido vantagens, intermediado negócios ou recebido dinheiro em troca do apoio financeiro. Ele também reiterou a defesa da criação de uma CPI para investigar o Banco Master, contrastando a relação com Vorcaro com as consideradas “espúrias” do governo Lula.
Fonte: O Globo