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sábado, 17 de outubro de 2026

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POLÍTICA

CPI do Banco Master: Flávio Bolsonaro usa crise para pressionar, mas Alcolumbre resiste

Senadores de oposição e governo defendem CPI do Banco Master após revelações sobre Flávio Bolsonaro. Presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, resiste à instalação da comissão, vista por aliados como disputa política.

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A crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o Banco Master uniu governistas e oposição na Câmara e no Senado. Ambos os lados defendem publicamente a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o banco.

A pressão aumentou após o Intercept Brasil revelar negociações entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, o acordo previa um aporte de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões).

Flávio Bolsonaro reagiu transformando a defesa da CPI em um dos pilares de sua pré-campanha. Em nota, o senador afirmou que buscava apenas patrocínio privado para um filme e acusou o governo Lula de ter "relações espúrias" com Vorcaro. "CPI do Master já", declarou.

A avaliação nos bastidores da campanha de Bolsonaro é que a defesa da investigação pode dissociar o senador do escândalo e transferir parte do desgaste para o governo federal.

No campo governista, a estratégia é associar o caso Banco Master ao bolsonarismo, em uma ofensiva apelidada de "Bolso Master". O deputado Rogério Correia (PT-MG) reforçou a necessidade da CPI e acusou o Congresso de "aliviar corruptos do Centrão e da extrema-direita".

Apesar do endurecimento público dos discursos, lideranças políticas veem a disputa como uma batalha pela associação ao escândalo às vésperas da eleição presidencial de 2026.

O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), no entanto, resiste à instalação da CPI. Aliados do senador afirmam que a ofensiva é vista mais como disputa política do que articulação real para investigar o banco. A resistência de Alcolumbre é anterior à crise de Flávio Bolsonaro.

Na última sessão conjunta do Congresso, Alcolumbre não leu o requerimento para a criação da CPI, passo essencial para a instalação do colegiado. A decisão foi interpretada como uma manobra para evitar instabilidade política em um momento de tensão com investigações sobre o sistema financeiro.

Aliados de Alcolumbre afirmam que não há previsão de nova sessão conjunta do Congresso e que o presidente do Senado não tem disposição para destravar a comissão. Há receio de que a CPI cause desgaste transversal em lideranças do Centrão e contamine as eleições.

Interlocutores próximos a Alcolumbre relatam que nenhum senador o procurou diretamente para pedir a instalação da comissão nas últimas 24 horas, apesar da escalada pública das cobranças.

Aliados do presidente do Congresso lembram ainda que a oposição havia concordado reservadamente em não pressionar pela leitura imediata do requerimento. Houve um acordo para votar a dosimetria de penas aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 sem a deliberação da CPI.

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