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sábado, 17 de outubro de 2026

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POLÍTICA

Ministério da Justiça pede investigação sobre práticas da Meta

Ministério da Justiça aciona ANPD e MPF para investigar falta de transparência nas práticas de moderação de conteúdo da Meta.

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O Ministério da Justiça e Segurança Pública acionou a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e o Ministério Público Federal (MPF) para apurar possíveis irregularidades nas práticas de moderação de conteúdo da Meta, empresa responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp. As medidas foram apresentadas em duas notas técnicas assinadas na sexta-feira (16) pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais.

Segundo a secretaria, a Meta não informa de forma transparente os critérios usados para remover publicações, suspender contas e restringir o alcance de conteúdos. O ministério afirma que os problemas podem atingir perfis políticos, jornalistas, veículos de comunicação, movimentos sociais e usuários comuns.

A pasta pediu à ANPD uma fiscalização sobre as práticas de moderação, restrição de alcance e aprovação de anúncios adotadas pela empresa desde janeiro, além de uma auditoria dos sistemas automatizados. Ao MPF, recomendou o ajuizamento de uma ação civil pública com pedido de liminar antes do segundo turno da eleição presidencial.

Entre as medidas sugeridas estão o restabelecimento, em até 15 dias, de contas, publicações e funcionalidades restringidas sem justificativa específica, salvo comprovação dos fundamentos; a revisão humana prévia de bloqueios que atinjam organizações e veículos jornalísticos; e a criação de mecanismos gratuitos de contestação em português.

A iniciativa ocorreu após denúncias de organizações da sociedade civil, decisões judiciais e informações divulgadas pela imprensa. O processo administrativo aberto pelo ministério com a Secretaria Nacional do Consumidor ainda está em andamento, e a Meta não havia respondido à requisição de informações até a elaboração das notas.

As notas citam pelo menos nove representações encaminhadas a seis autoridades em 13 dias. A organização CTRL+Z relatou 1.121 problemas nas plataformas da Meta entre 25 de setembro e 13 de outubro, incluindo supressão de alcance, restrição de funcionalidades, banimentos e remoção de publicações.

Os documentos também mencionam anúncios com desinformação e imagens falsas produzidas por inteligência artificial. De acordo com o ministério, as denúncias indicam problemas anteriores ao período eleitoral.

A manifestação do ministério ocorreu após a divulgação de mensagens internas da Meta, segundo as quais a empresa teria identificado restrições que afetaram a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Meta atribuiu publicamente problemas nas métricas de suas plataformas a uma falha global registrada em 7 de outubro, mas o ministério afirma que o episódio não explicaria restrições identificadas dois dias depois.

Fonte: O Globo

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