A Polícia Federal solicitou nesta sexta-feira (7) o retorno do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para o presídio federal de Brasília. Vorcaro está preso atualmente na superintendência da PF no Distrito Federal. O pedido foi encaminhado ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que ainda não decidiu sobre a transferência.
A solicitação da PF, feita em 24 de abril, antecede a entrega de uma proposta de delação premiada por parte da defesa de Vorcaro à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta terça-feira (4). Investigadores expressaram insatisfação com a demora de Vorcaro em apresentar detalhes de sua colaboração, considerando insuficientes as informações preliminares.
A PF informou que não assinará acordo de delação sem informações inéditas sobre as irregularidades do Banco Master. A proposta de Vorcaro não teria incluído detalhes sobre pagamentos mensais ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), que estariam em troca de atuação parlamentar em favor do banqueiro. Tais alegações constam em decisão de Mendonça que autorizou buscas contra o senador na Operação Compliance Zero.
A defesa de Ciro Nogueira repudiou as ilações e declarou que o senador está à disposição da Justiça. A nota, assinada pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirma que medidas investigativas graves baseadas em trocas de mensagens entre terceiros podem ser precipitadas.
Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, em tentativa de fuga para Dubai, no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura fraudes de R$ 12 bilhões no Banco Master. No dia seguinte, o banco foi liquidado pelo Banco Central, resultando no maior resgate da história do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com mais de R$ 50 bilhões.
Vorcaro foi liberado em novembro de 2025. Em dezembro, o ministro Dias Toffoli, do STF, remeteu o caso ao Supremo e decretou sigilo máximo. Em fevereiro de 2026, Toffoli deixou o caso após menções em seu celular serem encontradas. André Mendonça assumiu e, em março, decidiu pela nova prisão de Vorcaro, atendendo a pedido da PF que o apontava como líder de organização criminosa voltada a intimidar pessoas contrárias aos interesses do Master. A defesa passou a negociar delação premiada a partir de então.
Fonte: G1