Pressionado pela queda nas pesquisas de intenção de voto, que indicam o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente em simulações de segundo turno, o governo federal anunciou nesta quarta-feira (15) um pacote de medidas populares. As ações visam reduzir o endividamento das famílias, ampliar programas de reforma habitacional e alterar a escala de trabalho 6x1.
Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada hoje mostrou Flávio Bolsonaro com 42% das intenções de voto contra 40% de Lula, a primeira vez que o senador ultrapassa numericamente o presidente. Anteriormente, um levantamento Datafolha já apontava empate técnico entre os dois, com 45% para Lula e 46% para Bolsonaro.
Em resposta ao cenário eleitoral, o Planalto enviará ao Congresso um projeto de lei em regime de urgência para antecipar o fim da escala 6x1, reduzindo a jornada de trabalho. A medida, que já era discutida em Proposta de Emenda Constitucional (PEC), agora ganha caráter de urgência para ser votada em até 90 dias.
O ministro da Secretaria Geral, Guilherme Boulos, criticou a oposição, afirmando que o PL, partido de Flávio Bolsonaro, e o União Brasil se posicionam contra o fim da escala 6x1. "Enquanto isso, o presidente Lula manda o projeto de lei com regime de urgência para acabar com a escala 6x1. É esse debate que vai estar em jogo no nosso país: quem está do lado dos trabalhadores e das trabalhadoras do Brasil e quem está do lado dos privilegiados", declarou Boulos.
Na área habitacional, o governo anunciou a ampliação do programa de reforma de casas, com aumento do valor do crédito de R$ 30 mil para R$ 50 mil, redução dos juros para 0,99% e ampliação da faixa de renda para adesão. O programa Minha Casa Minha Vida também terá suas faixas de atendimento ajustadas.
Outras medidas em estudo incluem novas linhas de crédito para taxistas, motoristas de aplicativo e caminhoneiros, além de um plano para renegociação de dívidas e liberação de parte do FGTS para quitação de débitos. Espera-se que o pacote de medidas de crédito e renegociação de dívidas ultrapasse os R$ 100 bilhões.
O governo também trocou o presidente do INSS, Gilberto Waller, por Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira. A mudança ocorre em meio à alta demanda e longas filas para concessão de benefícios, um ponto considerado de desgaste popular para a gestão atual.