Ir para o conteúdo

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

POLÍTICA

PEC do fim da escala 6x1 tem votação adiada na CCJ

Oposição pede vista e adia votação da PEC que busca o fim da escala 6x1. Relator defende regra de transição e compensações ao setor produtivo, enquanto governo pressiona por redução para 40 horas semanais.

Compartilhe
WhatsApp
PEC do fim da escala 6x1 tem votação adiada na CCJ

A votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala de trabalho 6x1 foi adiada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira. O adiamento ocorreu após pedido de vista coletiva dos deputados Lucas Redecker (PSD-RS) e Bia Kicis (PL-DF). A análise do parecer do relator, Paulo Azi (União Brasil-BA), foi remarcada sem data definida.

O relator se manifestou pela constitucionalidade da proposta, mas defendeu a discussão de uma regra de transição e de compensações ao setor produtivo. Azi ressaltou a importância da regulamentação do tempo de trabalho e apontou os potenciais benefícios da redução da jornada para a saúde dos trabalhadores. Contudo, alertou para os impactos econômicos setoriais e a necessidade de aprofundamento desses aspectos em uma comissão especial.

O parlamentar também expressou preocupação com o risco de engessamento das regras caso sejam fixadas na Constituição, defendendo que tais definições ocorram em negociações coletivas. Azi mencionou estudos que apontam altos custos para setores como o comércio e a indústria com a adoção de novas jornadas, sugerindo compensações fiscais para as empresas que reduzirem a carga horária.

O governo, por meio do Ministério do Trabalho e Emprego, defende a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais com escala 5x2. O texto original da PEC, de autoria de Reginaldo Lopes (PT-MG), propõe a redução para 36 horas semanais em dez anos. Outra proposta apensada, de Erika Hilton (Psol-SP), sugere a escala 4x3 e a redução para 36 horas semanais, mantendo o salário.

Apesar da resistência em relação aos modelos propostos, avalia-se que uma alternativa intermediária, mais próxima da defesa do governo, pode prevalecer. O adiamento na CCJ sinaliza a complexidade do debate, que envolve a conciliação entre a redução da jornada de trabalho e a preservação dos setores produtivos.

Leia também