A ministra do Planejamento, Simone Tebet, filiou-se nesta sexta-feira (27) ao PSB, em um movimento que oficializa sua pré-candidatura ao Senado pelo estado de São Paulo. A cerimônia, realizada na Assembleia Legislativa do Estado (Alesp), contou com a presença de importantes figuras do partido, como o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Márcio França.
Tebet deixa o MDB, partido no qual esteve por quase três décadas, e muda seu domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo. A filiação fortalece o grupo político liderado pelo presidente Lula (PT) e busca ampliar a influência do governo no maior colégio eleitoral do país, em contraposição a nomes como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O evento destacou a trajetória de Tebet na campanha de Lula como um símbolo de defesa da democracia e ressaltou o papel de seu ministério em políticas públicas e na alocação de recursos federais. A pauta da maior participação feminina na política também foi um dos focos da articulação.
"Vamos ter, este ano, uma escolha entre quem respeita o povo e quer democracia e quem gosta de ditadura, que é mandar no povo", declarou Alckmin durante o evento.
A entrada de Tebet no PSB faz parte de uma estratégia de Lula para consolidar votos no eleitorado de centro e direita não bolsonarista. Em outubro, Tebet disputará uma das duas vagas ao Senado por São Paulo, buscando também apoiar a candidatura de Fernando Haddad ao governo e fazer oposição a Tarcísio e Flávio Bolsonaro.
A ministra, que já foi cotada para ser candidata ao governo do estado, pode focar sua oposição a Tarcísio em pautas como feminicídio e segurança pública, áreas onde o bolsonarismo historicamente encontra mais resistência entre o eleitorado feminino.
Pesquisa Datafolha divulgada no início de março aponta Haddad com bons números contra Tarcísio no primeiro turno e Tebet com 25% das intenções de voto para o Senado, atrás apenas de Alckmin (31%). Representantes do bolsonarismo apresentaram desempenho inferior, com no máximo 13%.
A candidatura de Tebet em São Paulo com apoio do PT foi confirmada pelo próprio presidente Lula em 19 de março. A segunda vaga no Senado pode ser disputada por Márcio França ou Marina Silva (Rede).
Simone Tebet construiu sua carreira política no Mato Grosso do Sul, onde atuou como vice-governadora, senadora e deputada estadual. Sua aproximação com a esquerda se intensificou durante o governo de Jair Bolsonaro, quando participou ativamente da CPI da Covid. Na eleição presidencial de 2022, ficou em terceiro lugar, com 4,2% dos votos válidos, e declarou apoio a Lula no segundo turno.
A coligação petista busca, com Tebet, reverter um cenário onde não elege senadores por São Paulo desde 2010. A estratégia envolve focar em pautas econômicas positivas, como a queda do desemprego, e projetos aprovados pelo Executivo, como a isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil.
Fonte: O Globo