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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

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ECONOMIA

Império de Nelson Tanure em Risco Após Escândalo do Banco Master

O empresário Nelson Tanure, um gigante dos investimentos no Brasil, vê seu império em risco. Investigado por suposta ligação com o Banco Master, Tanure enfrenta congelamento de bens e queda nas ações de suas empresas. O escândalo expõe um complexo esquema financeiro e levanta questões sobre a origem de seu capital.

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Império de Nelson Tanure em Risco Após Escândalo do Banco Master

O empresário Nelson Tanure, conhecido por seu império de investimentos em mais de 200 empresas em dificuldades, vê seu império desmoronar em meio a investigações sobre seu suposto envolvimento como sócio oculto do Banco Master, liquidado pelo Banco Central. Autoridades congelaram bens de Tanure, o aperto de crédito o forçou a liquidar participações em negócios e as ações de suas empresas despencaram.

Tanure, 74 anos, enfrenta um dos maiores escândalos de corrupção do Brasil. Investigações apontam para transações financeiras suspeitas entre Tanure e o Banco Master, cujo dono, Daniel Vorcaro, está preso. Documentos indicam que Tanure investiu ao menos R$ 1,6 bilhão no banco desde 2020, utilizando veículos de investimento como o Estocolmo e a offshore Aventti Strategic Partners LLP.

Esses veículos teriam sido usados para adquirir títulos de dívida da Banvox, holding cujo único investimento era o Banco Master. As aquisições foram seguidas por aumentos de capital no banco. Embora os títulos não fossem conversíveis em ações, em dezembro de 2022 passaram a ser elegíveis para pagamento em ações da Banvox, o que poderia ter tornado Tanure acionista do Master.

Um representante de Tanure nega que ele tenha sido sócio ou beneficiário do Banco Master, afirmando que as relações eram meramente comerciais. Ele assegura que Tanure está confiante no esclarecimento dos fatos.

Tanure conheceu Vorcaro por volta de 2020. Enquanto Tanure é descrito como discreto e introvertido, Vorcaro ostentava sua riqueza com jatinho particular, festas luxuosas e presentes caros, como um relógio Jaeger-LeCoultre dado a Tanure em 2021.

Vorcaro foi preso novamente em março, acusado de ameaçar jornalistas, obter acesso a sistemas do FBI e Interpol e interferir em investigações. Ele firmou acordo de cooperação com as autoridades.

As investigações concentram-se em transações dos últimos dois anos. A rede de supermercados Dia, adquirida por Tanure em recuperação judicial em 2024, utilizou fundos do Banco Master e comprou títulos do Letsbank, banco do grupo Master. A Emae, empresa de energia na qual Tanure era acionista, também comprou R$ 140 milhões em títulos do Banco Master.

A CVM investiga uma ação coordenada entre Tanure, o Banco Master e o presidente da Ambipar para comprar ações da empresa de gestão de resíduos e impulsionar seu preço em 2024. Tanure usou ações da Ambipar como garantia para financiar a aquisição da Emae, mas perdeu o controle da empresa devido ao não pagamento da dívida. A Ambipar entrou com pedido de recuperação judicial.

Tanure e o Banco Master também utilizaram fundos da Trustee DTVM, gerida por Mauricio Quadrado, que está sob investigação por lavagem de dinheiro. Os advogados de Tanure afirmam que ele não pode ser responsabilizado pelas operações de bancos ou gestoras das quais era cliente.

Em 2021, Tanure usou fundos da Trustee para assumir o controle da Alliança Saúde, pagando R$ 891 milhões em 2023. A CVM reabriu inquérito sobre a aquisição. A Alliança Saúde obteve medida cautelar contra credores devido a dificuldades financeiras.

Tanure, que se descreve como um tomador de riscos, focou em empresas em dificuldades por falta de capital próprio, citando como inspiração a capacidade de trabalho e não a abundância de dinheiro. Ele atribui seu sucesso à sua capacidade de trabalho e à tomada de riscos calculados.

Nascido na Bahia, Tanure construiu seu império a partir de investimentos em empresas endividadas, diversificando em setores como petróleo, telecomunicações, imobiliário e energia. Tentativas de adquirir Oi, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Braskem e GPA foram marcadas por desafios e desistências.

Recentemente, Tanure vendeu participações na Prio e Ligga Telecomunicações para pagar credores. Ele busca bons negócios e está comprometido com o crescimento das empresas investidas, afirmando que a capacidade de recuar e mudar de rumo é uma virtude.

Fonte: O Globo

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