O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs ao presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, uma parceria estratégica para o fortalecimento da autonomia na produção de artigos militares para autodefesa. A declaração foi feita em Brasília, durante encontro bilateral.
"Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente. O Brasil tem necessidade similar à da África do Sul. Portanto, vamos juntar o nosso potencial e ver o que podemos construir juntos", afirmou Lula.
O líder brasileiro ressaltou a importância de não depender da compra de armamentos de outros países. "Não precisamos ficar comprando dos 'Senhores das Armas'. Nós poderemos produzir. Ninguém vai ajudar a gente, a não ser nós mesmos", destacou.
Lula defendeu a articulação entre os países do Sul Global para se tornarem um mercado relevante na indústria de defesa, citando o potencial do Brasil em minerais críticos e terras raras. Ele frisou a necessidade de agregar valor a esses recursos, em vez de apenas exportá-los.
Durante a visita, também foram assinados acordos bilaterais nas áreas de turismo, comércio exterior e indústria. Lula reiterou o perfil pacífico da América do Sul e a aplicação civil das tecnologias desenvolvidas na região.
O presidente também expressou preocupação com a escalada de conflitos no Oriente Médio e seus impactos na economia global, especialmente no preço do petróleo, e nas populações mais vulneráveis, como mulheres e crianças.
Lula confirmou participação na reunião "Em Defesa da Democracia", em Barcelona, e reforçou o compromisso de Brasil e África do Sul em dar voz ativa ao Sul Global nas decisões internacionais.