Uma nova pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (7) indica um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma simulação de segundo turno para 2026. O levantamento mostra Lula com 46% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de três pontos percentuais dentro da margem de erro de dois pontos. Na pesquisa anterior, em dezembro, a vantagem de Lula era de 15 pontos. O Planalto avalia o resultado como um reflexo do desgaste político do governo. Interlocutores citam a repercussão de investigações no entorno do presidente, como a quebra de sigilo do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a ofensiva da CPMI do INSS. O ministro do STF, Flávio Dino, suspendeu a quebra de sigilo de Lulinha na última quinta-feira. Nos bastidores, o governo reconhece a necessidade de antecipar uma estratégia de confronto com o senador caso ele continue a crescer nas pesquisas. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, atribuiu o resultado à polarização, mas acredita que Lula é favorito. O deputado Rogério Correia também vê uma disputa acirrada, mas com vantagem para Lula por estar no cargo. Aliados de Jair Bolsonaro interpretam o cenário como um sinal de que a estratégia de Flávio Bolsonaro como uma versão mais moderada do bolsonarismo começa a ter efeito eleitoral. O deputado Cabo Gilberto (PL-PB) comentou que a população busca equilíbrio e que Flávio tem se mostrado centrado. O senador Flávio Bolsonaro reagiu nas redes sociais: "O Brasil escolheu prosperar. Que Deus conduza a nossa missão". O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o resultado reforça a avaliação do partido sobre o crescimento da candidatura do senador. O desempenho de Flávio Bolsonaro também atrai atenção do centrão. Partidos como União Brasil e PP veem pesquisas internas que colocam o senador em posição competitiva, inclusive à frente de Lula em alguns cenários, especialmente em Minas Gerais. A federação União Brasil/PP avalia que Flávio pode se tornar um polo de agregação da direita com um perfil moderado. Partidos de centro e centro-direita, que antes subestimavam o potencial de Flávio, agora o veem como uma alternativa, embora Tarcísio de Freitas (Republicanos) e outros nomes ainda sejam considerados. O Republicanos adota cautela, reconhecendo o desempenho, mas ponderando que o cenário pode mudar. Dirigentes da legenda notam que o senador tem adotado um perfil mais moderado, apelidado de "Bolsonaro paz e amor", ampliando seu alcance. Alguns veem o crescimento de Flávio como resultado de ainda não ter sido alvo de confrontos diretos, o que deve mudar caso continue a avançar. Decisões sobre alianças por parte de partidos de centro devem ocorrer após a janela partidária em abril.
POLÍTICA
Pesquisa aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro; Planalto reage
Pesquisa Datafolha revela empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em simulação de segundo turno para 2026. Governo reage a desgaste, enquanto aliados de Bolsonaro veem estratégia moderada em efeito.