O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) reafirmou nesta sexta-feira (7) o desejo de formar uma aliança unificada da direita no Ceará com o Partido Liberal (PL). A articulação enfrenta obstáculos após interferência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ciro relatou que Michelle "humilhou" o presidente do PL no Ceará, deputado estadual André Fernandes, durante negociações que visavam apoiar sua candidatura ao governo estadual, atualmente comandado por Elmano de Freitas (PT).
"A esposa do ex-presidente da República, do Bolsonaro, veio aqui, humilhou André Fernandes. E eu não tenho nada a ver com isso, eu fiquei quieto", declarou Ciro Gomes durante o Encontro dos Produtores Rurais do Ceará (Eproce). Segundo o ex-ministro, o PL solicitou um "tempo" para resolver conflitos internos. "Quem sou eu para dizer não? Dou o tempo. Está guardada aqui uma vaga para a aliança que una toda a oposição para salvar o Ceará", afirmou.
Em dezembro, o PL suspendeu o acordo com Ciro após divergências internas que envolviam Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ex-primeira-dama havia criticado a aproximação do PL local com Ciro durante evento de lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo.
André Fernandes, na época, mencionou "ruído de comunicação" e acatou a decisão nacional do partido, mas reafirmou o compromisso de lutar contra o PT no Ceará. "Acato a ordem do diretório nacional e vamos repensar, analisar um futuro melhor para o estado", disse.
O plano de Ciro Gomes é unir políticos da direita, incluindo nomes como o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio e o ex-deputado federal Capitão Wagner (União Brasil), para formar uma chapa majoritária que dispute o governo, vice-governadoria e as duas vagas de senador pelo estado.
Ciro Gomes lidera as intenções de voto para o governo do Ceará, com 44%, segundo pesquisa Ipsos-Ipec de dezembro. Elmano de Freitas aparece com 34% e Eduardo Girão com 7%. Em um cenário de segundo turno, Ciro obteria 49% contra 39% de Elmano.
Fonte: G1