Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) ganham novo fôlego em meio à disputa eleitoral entre governo e oposição no Congresso. Nesta quinta-feira (27), a CPI do INSS aprovou mais de 80 requerimentos, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão elevou o tom do embate político.
A sessão, conduzida pelo senador Carlos Viana (PSD-MG), terminou em confusão após governistas contestarem a votação simbólica. Parlamentares do PT recorreram ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tentar anular a deliberação.
O embate em ano eleitoral pode desgastar ambos os lados. Além da quebra de sigilo de Lulinha, foram aprovados pedidos de informações e convocações de Daniel Vorcaro, do Banco Master, e outros nomes do mercado financeiro.
A oposição, por meio de parlamentares como o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, defende o avanço das investigações. "CPI não está aqui para isso. Está para ajudar na investigação. E não dá para ficar blindando pessoas que têm indícios. O que estava acontecendo era blindagem. Basta de blindagem, vamos fazer isso para valer", afirmou Cavalcante.
Por outro lado, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), ressaltou o caráter político das CPIs. "A CPI é um palco político. A Polícia Federal é o palco isento que realmente investiga", disse Wagner à CNN.
A CPI do Crime Organizado também acelerou os trabalhos, com aprovação de convocações e quebra de sigilo de empresas ligadas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Integrantes da Corte avaliam que as medidas extrapolampolítica o objeto inicial da investigação.
Apesar da complexidade em ano eleitoral, a oposição demonstra força nas comissões, enquanto o governo busca reorganizar sua base para evitar ser pauta de investigações unilaterais.