Ir para o conteúdo

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

JUSTIÇA

PF prende Canella e Marcus Amim em investigação sobre postos

PF prende Canella, Marcus Amim e quatro policiais em investigação sobre rede de postos que movimentou R$ 7,6 bilhões.

Compartilhe
WhatsApp

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) o ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) e o ex-secretário estadual de Polícia Civil do Rio Marcus Amim. A operação investiga uma rede de empresas e postos de combustíveis que movimentou mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos, segundo a PF.

Além de Canella e Amim, foram presos os inspetores da Polícia Civil Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), também determinou a suspensão das atividades de 112 empresas, incluindo 96 postos de combustíveis, além do sequestro de bens e valores. A investigação começou após um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Segundo a PF, policiais civis ligados a Canella teriam estruturado empresas do setor para ocultar os verdadeiros controladores e lavar recursos supostamente desviados da Prefeitura de Belford Roxo. Os investigadores suspeitam que parte dos negócios estivesse formalmente registrada em nome de familiares e intermediários.

Entre os investigados estão Pablo Russo e José Carlos Alves de Souza Júnior. As esposas deles, Luisi Correa Pinho e Luana Oliveira, apareciam como sócias de empresas ligadas à rede, enquanto a PF apura se os policiais exerciam o controle efetivo dos negócios.

A sexta fase da Operação Unha e Carne, realizada em 7 de julho, já havia cumprido 19 mandados de busca e apreensão, incluindo endereços ligados a Canella e Amim. Na ocasião, foram apreendidos cerca de R$ 800 mil em espécie e 11 carros de luxo, além de um fuzil encontrado no carro de Canella, que acabou preso em flagrante por esse episódio separado da investigação sobre lavagem de dinheiro.

Canella foi solto dias depois por decisão de Moraes e passou a usar tornozeleira eletrônica. A defesa afirmou que a arma era legalizada e pertencia a um segurança. Sobre a nova prisão, os advogados do deputado eleito informaram que não se manifestariam antes de ter acesso aos autos.

A PF também apura suspeitas de organização criminosa armada, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel. O valor de R$ 7,6 bilhões corresponde à movimentação atribuída à rede investigada e não necessariamente ao montante efetivamente lavado.

As medidas foram cumpridas no Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. As manifestações atualizadas das defesas dos demais investigados não haviam sido obtidas.

Fonte: O Globo

Leia também