O Carnaval brasileiro, conhecido por sua irreverência e capacidade de refletir a sociedade, tem sido palco frequente para homenagens a figuras políticas. Desta vez, o desfile da Acadêmicos de Niterói em tributo ao presidente Lula gerou repercussão, reacendendo o debate sobre a relação entre a folia e a política. Lula já foi tema de enredos em outras duas ocasiões, em 2012 pela Gaviões da Fiel e em 2023 pela Cidade Jardim de Belo Horizonte.
A tradição de exaltar ou retratar políticos em sambas-enredo remonta a décadas. Em 1956, a Mangueira homenageou Getúlio Vargas com o enredo "Exaltação a Getúlio Vargas - Emancipação Nacional do Brasil", celebrando o nacionalismo e a industrialização. A própria Mangueira voltou a prestar tributo a Vargas em 1985, com o enredo "Anos Trinta, Vento Sul", que abordou sua ascensão após a revolução de 1930, mas também gerou polêmica ao tratar do Estado Novo.
Outros presidentes também foram lembrados. Em 1981, a Mangueira celebrou Juscelino Kubitschek em "De Nonô a JK", contando sua trajetória e o desenvolvimento de Brasília. Mais recentemente, em 2012, a Vai-Vai homenageou a então presidente Dilma Rousseff no enredo "Mulheres que Brilham - a força feminina no progresso social e cultural do país".
Políticos com atuação mais regional ou em diferentes esferas também marcaram presença. Em 1994, Anthony Garotinho, então prefeito de Campos, foi tema da escola Independentes de Cordovil com "O Garotinho de Campos vem aí...Sacudindo a Sapucaí". Em 2006, a Leandro de Itaquera apresentou bonecos do então governador Geraldo Alckmin, do prefeito José Serra e do ex-governador Mario Covas em um desfile sobre tradições paulistas, o que gerou críticas do PT na época.
A Portela revisitou Getúlio Vargas em 2000 com "Trabalhadores do Brasil: A Época de Getúlio Vargas", abordando conquistas trabalhistas e o autoritarismo do Estado Novo. Em 2001 e 2010, Chiquinho da Mangueira foi homenageado pela Unidos de Villa Rica e pela Mocidade Unida de Jacarepaguá, respectivamente, com enredos que ressaltavam sua trajetória.
A Beija-Flor de Nilópolis, em 2003, incluiu uma escultura de Lula em um de seus carros alegóricos, dentro do enredo "O povo conta sua história: saco vazio não para em pé, a mão que faz a guerra faz a paz", que também mencionou o programa Fome Zero. O desfile foi campeão naquele ano.
A relação entre Carnaval e política continua a render debates, com escolas utilizando a arte para celebrar, criticar ou relembrar figuras públicas, refletindo o cenário político e social do país.