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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discursou na quinta-feira (5) em um jantar do CPAC, conferência conservadora realizada em Mar-a-Lago, propriedade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Flórida. Durante o evento, ele também abraçou o ator Jim Caviezel, escalado para interpretar Jair Bolsonaro no filme “Dark horse”.
Em português, com tradução de Pedro Valente, Flávio afirmou que no Brasil “não há a quem recorrer para desfazer a injustiça” e repetiu alegações, sem apresentar provas, sobre fraude eleitoral e perseguição política. O senador disse ainda acreditar que sua trajetória “ainda não foi” encerrada.
“Um ano atrás, eu jamais imaginava que seria candidato a presidente do Brasil. Mas eu creio que era um projeto de Deus para mim e para a nação. Mesmo quando o que parece ser o final não é aquilo que esperávamos, temos que agradecer a Deus e ter ainda mais fé que ainda não foi o fim”, declarou.
O jantar ocorreu no salão Donald J. Trump, dentro do clube Mar-a-Lago, em Palm Beach. O CPAC reúne lideranças conservadoras americanas e internacionais entre 4 e 7 de novembro.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro também participou da conferência e posou ao lado de Caviezel. Em uma publicação, chamou o ator de “homem corajoso e verdadeiro cristão”.
Caviezel, conhecido por interpretar Jesus Cristo em “A Paixão de Cristo”, foi escolhido para viver Jair Bolsonaro na cinebiografia “Dark horse”. O filme passou a ser citado em investigações sobre o Banco Master depois que a Polícia Federal identificou conversas entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre recursos para a produção.
Em uma das mensagens, Flávio cobrou pagamentos relacionados ao ator e ao diretor Cyrus Nowrasteh. O senador confirmou ter buscado financiamento para o projeto, mas negou irregularidades.
A participação no evento ocorre durante a tentativa de Flávio de ampliar contatos com o entorno de Trump. Desde que chegou aos Estados Unidos, ele tem buscado aproximação com lideranças conservadoras americanas, com auxílio de Eduardo Bolsonaro, que vive no país e mantém relações com integrantes do movimento trumpista.
Apesar de o evento ter sido realizado em Mar-a-Lago, Trump afirmou recentemente que não planejava receber Flávio, embora tenha dito que o senador poderia permanecer nos Estados Unidos pelo tempo que desejasse.
Flávio deixou o Brasil no fim de outubro, após se recusar a reconhecer a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e descumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar os passaportes. Desde então, permanece na Flórida com a família.
Após chegar aos Estados Unidos, o senador divulgou uma carta em que questionou, sem apresentar provas, a legitimidade do resultado eleitoral e afirmou que pretende liderar a oposição mesmo fora do país. A manifestação provocou desconforto entre dirigentes do PL e aliados que defendem uma atuação institucional no Congresso.
Fonte: O Globo