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O Brasil deve ampliar em 2026 a dependência de fertilizantes importados, enquanto a aplicação de alguns insumos tende a cair no campo, com possível impacto sobre a produtividade da soja, afirmou Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic no país, em evento realizado em 5 de novembro, em São Paulo.
Segundo Monteiro, o país importava 85% dos fertilizantes consumidos até 2025, mas essa participação deve crescer neste ano. Ele atribuiu o cenário à instabilidade geopolítica e aos conflitos em regiões fornecedoras de insumos.
A situação mais crítica, de acordo com o executivo, está nos fertilizantes fosfatados. O custo do enxofre estaria prejudicando de 30% a 40% da produção mundial de fósforo, enquanto a importação brasileira do insumo deve recuar 50% em 2026.
Monteiro afirmou que o Brasil aplicará 22% menos P2O5, molécula usada na composição de fertilizantes fosfatados, do que no ano passado. Ele também disse que a indústria nacional projeta os menores estoques de passagem de sua história.
O executivo defendeu apoio a investimentos, regras mais claras para concessões minerais e mudanças tributárias. Segundo ele, o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) oferece linhas de crédito, mas o acesso é burocrático e os juros elevados dificultam novos investimentos.
O deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da Frente Parlamentar Agropecuária, afirmou que os juros altos e as dificuldades no licenciamento ambiental atrasam projetos de extração mineral. Ele classificou como “utópica” a previsão de um percentual mínimo de fertilizantes nacionais nas misturas.
Arián Krakov, sócio da Bain & Company, avaliou que a alta dos preços e do transporte dos insumos, associada à guerra no Oriente Médio, agrava as incertezas do agronegócio. Para ele, os projetos de expansão da produção global até 2030 não serão suficientes para recompor os níveis anteriores à guerra.
Krakov afirmou que o Brasil é o terceiro principal destino das exportações de fertilizantes do Golfo Pérsico. Na safra 2025/26, China, Rússia e Canadá foram os maiores fornecedores do composto NPK ao país.
Fonte: O Globo