William Correia da Silva Junior, apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como um dos líderes do grupo Anjos da Guarda Vigilância Comunitária, é réu em um processo por assédio sexual contra uma atleta paralímpica. O caso ocorreu em 2021, durante uma competição interestadual em São Paulo, quando a vítima tinha 16 anos.
Segundo a denúncia do Ministério Público de São Paulo, Correia teria feito comentários inadequados, enviado mensagens pelas redes sociais convidando a adolescente para ir ao quarto de hotel e entrado no local onde ela estava com outra menor de idade.
Na época, Correia acompanhava a delegação do Rio de Janeiro como representante da Secretaria Estadual de Esporte, Lazer e Juventude. Embora tivesse sido exonerado do cargo em 2020, documentos apresentados à Justiça indicam que ele integrou a comitiva oficial como membro da equipe de apoio por meio de um acordo entre a secretaria e a Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos.
O caso foi inicialmente registrado no Rio de Janeiro, mas a investigação foi transferida para São Paulo porque os fatos teriam ocorrido naquele estado. A Polícia Civil paulista indiciou Correia por assédio sexual de forma continuada, e a Justiça aceitou a denúncia em maio de 2026.
A defesa pediu a rejeição da denúncia e a absolvição sumária. Os advogados alegaram que a acusação seria genérica e não demonstraria constrangimento, ameaça, chantagem ou intenção específica de obter vantagem sexual. A Justiça manteve o recebimento da denúncia em julho.
Após faltar a uma audiência em agosto, alegando problemas de saúde, Correia prestou depoimento em 22 de setembro, segundo o Ministério Público de São Paulo. O processo tramita em segredo de Justiça, e os debates entre acusação e defesa já foram realizados. A sentença ficará a cargo de uma juíza.
Em manifestação ao g1, a defesa informou que só voltará a se pronunciar depois da sentença.
Além do processo em São Paulo, Correia é citado pelo Ministério Público do Rio como fundador e líder do grupo Anjos da Guarda Vigilância Comunitária. Segundo a promotoria, o coletivo teria organizado perseguições, divulgado imagens de adolescentes suspeitos de furtos e roubos e promovido rondas informais em bairros da Zona Sul, como Copacabana e Ipanema. Pelo menos duas investigações relacionadas ao grupo estão em andamento no Rio de Janeiro.
Fonte: g1