A Justiça do Rio de Janeiro realiza nesta sexta-feira (25), a partir das 14h, uma audiência que pode confirmar a venda de 90% da SAF do Vasco para a Almirante Participações e Empreendimentos S.A., de Marcos Lamacchia, único investidor concorrente no processo.
A proposta prevê aporte de R$ 500 milhões, pagamento de uma dívida superior a R$ 1 bilhão por meio da recuperação judicial e repasses anuais de R$ 15 milhões ao clube associativo, que manteria 10% das ações.
A operação tem o aval de José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa e pai de Marcos. A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, mulher de José Roberto, acompanha as negociações e mantém diálogo com dirigentes vascaínos, mas não participa formalmente do negócio.
O Vasco também articula medidas para evitar questionamentos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) relacionados a possível conflito de interesses, já que Leila comanda o Palmeiras até o fim de 2027. Uma das possibilidades avaliadas é a saída de Marcos Lamacchia do contrato social da empresa até o encerramento do mandato da dirigente.
A legislação impede que integrantes de uma mesma família estejam à frente de clubes diferentes da mesma divisão no futebol brasileiro. Marcos também não deverá integrar o Conselho de Administração da nova SAF, enquanto o presidente Pedrinho é cotado para assumir a função de CEO, embora não confirme interesse no cargo.
Leila Pereira empresta atualmente seu avião para o uso do time do Vasco, mas não tem participação direta na operação. Marcos Lamacchia é assessorado pelo advogado André Sica, ligado ao Palmeiras, e o Vasco conta com a consultoria Alvarez & Marsal.
A G5 Partners, que atuava como assessora financeira do processo, foi afastada. A empresa 777 Partners, antiga controladora da SAF, fez um acordo judicial e encerrou a disputa para reassumir o controle e receber sua participação acionária.
A venda encerra o processo de transferência da SAF após a crise envolvendo a 777 Partners. Pedrinho assumiu o controle do futebol vascaíno por decisão judicial em 2024 e voltou ao cargo neste ano, depois de uma liminar que havia determinado a nomeação de interventores.
O acordo ainda precisará ser submetido ao Conselho Deliberativo e à Assembleia Geral do Vasco. A diretoria afirma que divulgará detalhes sobre o futuro do clube associativo e do estádio de São Januário após a aprovação da operação.
Fonte: O Globo