Criminosos usam publicações e comentários no TikTok para atrair interessados e direcioná-los à compra de material de violência sexual contra crianças e adolescentes no Telegram, segundo monitoramento realizado pelo g1 ao longo de semanas. A reportagem identificou ao menos 35 links divulgados na rede social, muitos deles levando a grupos, bots e páginas de venda dentro do aplicativo de mensagens.
Os envolvidos empregam códigos para tentar driblar a moderação das plataformas. No Telegram, o material é oferecido em pacotes com fotos e vídeos, por meio de conversas privadas, robôs automatizados ou miniaplicativos que funcionam como páginas dentro do próprio aplicativo.
De acordo com o levantamento, os criminosos aceitam pagamentos em criptomoedas e, em alguns casos, por Pix. Os valores encontrados variam de R$ 10 a cerca de R$ 130, conforme o volume e o tipo de conteúdo anunciado. A reportagem também identificou o envio de amostras gratuitas e vídeos autodestrutivos para convencer potenciais compradores.
A SaferNet Brasil informou ter encaminhado à Agência Nacional de Proteção de Dados um levantamento com 1.093 endereços ativos do Telegram que apresentavam indícios de material de violência sexual contra crianças e adolescentes. A entidade analisou 14.969 endereços denunciados entre 2017 e 2026 e afirmou que as denúncias atingiram o maior nível da série histórica em julho deste ano. ([new.safernet.org.br](https://new.safernet.org.br/home4?utm_source=openai))
Os dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que o Brasil registrou 4.063 vítimas em crimes de produção, posse ou distribuição desse tipo de material em 2025. O número representa crescimento em relação ao ano anterior, e 34,2% dos autores identificados eram adolescentes, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. ([fontesegura.forumseguranca.org.br](https://fontesegura.forumseguranca.org.br/pela-primeira-vez-anuario-traz-um-raio-x-dos-registros-de-producao-posse-ou-distribuicao-de-material-de-abuso-sexual-infantil/?utm_source=openai))
O Telegram afirmou que proíbe esse tipo de conteúdo e disse ter removido mais de 339 mil grupos e canais relacionados ao tema em 2026. A empresa declarou que utiliza moderação humana, denúncias e comparação de arquivos com bancos de dados de material previamente removido.
O TikTok informou que remove rapidamente publicações relacionadas à exploração sexual de crianças e adolescentes, bane as contas envolvidas e comunica casos ao Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas, nos Estados Unidos. A Meta, procurada sobre testes realizados no Instagram, afirmou que investe em tecnologia para detectar violações e adotar as medidas cabíveis.
Em 6 de agosto de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 15.487, que ampliou as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive quando praticados no ambiente digital ou com uso de inteligência artificial. A legislação prevê pena de quatro a dez anos de reclusão e multa para produção e venda de material, além de punições específicas para aquisição, posse, armazenamento, divulgação e acesso. ([planalto.gov.br](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/lei/l15487.htm?utm_source=openai))
Quem encontrar conteúdo desse tipo não deve baixar, salvar ou compartilhar os arquivos. As denúncias podem ser feitas anonimamente pelo Disque 100; em situações de risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.
Fonte: g1