João Munhoz Neto, namorado da universitária Isabelle Caracristi, está preso preventivamente e é investigado em Fortaleza por suspeita de indução, instigação ou auxílio ao suicídio e por violência psicológica. Isabelle morreu em 13 de setembro, após cair do rooftop do condomínio onde morava com ele, no bairro Aldeota.
A prisão foi realizada pela Polícia Civil do Ceará em 22 de setembro e mantida pela Justiça após a audiência de custódia, no dia seguinte. O caso tramita sob sigilo, e a manutenção da prisão não representa, por si só, uma conclusão sobre a responsabilidade criminal de João.
O artigo 122 do Código Penal considera crime induzir ou instigar alguém a tirar a própria vida, praticar automutilação ou prestar auxílio material para esses atos. Quando o suicídio se consuma, a pena prevista é de dois a seis anos de reclusão, podendo ser aumentada em situações específicas, como motivo egoístico, vulnerabilidade da vítima ou uso de internet e redes sociais.
Para que haja responsabilização, a investigação precisa demonstrar uma conduta concreta de incentivo, convencimento ou auxílio. Conversas, mensagens, documentos e depoimentos podem ser usados para verificar se houve relação entre a conduta do investigado e a decisão da vítima.
Segundo a Polícia Civil, depoimentos apontaram que João mantinha comportamento controlador, restringia a liberdade de Isabelle e tentava isolá-la. A corporação afirmou que busca confirmar essas informações com outros elementos de prova.
Registros de segurança mostram Isabelle no prédio antes de subir ao rooftop. O laudo cadavérico apontou politraumatismo compatível com a queda, e exames preliminares não identificaram agressões posteriores nem presença de drogas ou medicamentos no organismo da jovem, conforme informações divulgadas pelas autoridades.
A defesa nega que existam motivos para a prisão e afirma que não há indícios de feminicídio, homicídio ou instigação ao suicídio. A advogada também sustenta que João não estava no edifício no momento da queda e pretende pedir a revogação da prisão.
A investigação ainda não foi concluída. João é tratado juridicamente como investigado, e eventual responsabilização dependerá das provas reunidas pela Polícia Civil e da análise do Ministério Público e da Justiça.
Fonte: g1