João Munhoz Neto, de 34 anos, está preso preventivamente desde 22 de setembro, em Fortaleza, sob suspeita de violência psicológica e de induzir ou instigar o suicídio da namorada, Isabelle Caracristi, de 22 anos. A estudante foi encontrada morta em 13 de setembro, após cair do rooftop do condomínio onde morava, no bairro Aldeota.
A perícia apontou precipitação voluntária, expressão usada para indicar que Isabelle teria se lançado do local, e não identificou sinais de agressão física no corpo. A Polícia Civil, porém, investiga o que ocorreu antes da queda e afirma ter reunido depoimentos sobre comportamento controlador, restrições à liberdade da jovem e tentativa de isolamento.
A prisão preventiva foi mantida pela Justiça após audiência de custódia. A medida não representa condenação nem comprova, por si só, que João tenha causado a morte. A investigação ainda precisa reunir elementos sobre a relação entre a conduta atribuída ao suspeito e a decisão que levou Isabelle à morte.
O artigo 122 do Código Penal prevê como crime induzir ou instigar alguém a tirar a própria vida, praticar automutilação ou prestar auxílio material para esses atos. Quando o suicídio se consuma, a pena prevista é de dois a seis anos de reclusão; a punição pode aumentar em situações como motivo torpe, vulnerabilidade da vítima ou uso de redes sociais.
Para sustentar uma acusação, a investigação deve buscar provas documentais, testemunhais e digitais que indiquem uma atuação dirigida a convencer, pressionar ou criar condições para que a vítima praticasse o ato. A existência de uma relação conflituosa ou de um suicídio, isoladamente, não basta para caracterizar o crime.
Entre os elementos analisados estão mensagens, áudios, depoimentos de familiares e testemunhas, imagens de câmeras e dados de aparelhos eletrônicos. O delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, afirmou que relatos apontam que Isabelle não podia realizar sozinha atividades cotidianas, como ir à farmácia ou deixar o escritório onde os dois trabalhavam.
A defesa de João nega que ele tenha cometido crime, contesta a existência de violência psicológica e afirma que o investigado colaborou com a apuração. O caso permanece sob investigação, e eventual denúncia do Ministério Público ainda dependerá da análise das provas reunidas pela polícia.
Fonte: g1