O papa Leão XIV afirmou nesta sexta-feira (25), em Paris, que o avanço da inteligência artificial exige educação para o discernimento ético e alertou para o risco de a tecnologia criar um “paraíso de máquinas” capaz de condicionar a vida humana.
Durante encontro no Palácio do Eliseu com o presidente Emmanuel Macron, autoridades e representantes da sociedade civil, o pontífice defendeu que a inteligência artificial seja desenvolvida com foco na dignidade humana. Segundo ele, decisões sobre ciência e tecnologia não devem ser orientadas apenas pelo lucro.
Leão XIV também criticou tendências que, na avaliação da Igreja Católica, podem transformar a ciência em instrumento de manipulação genética, barriga de aluguel, comércio de órgãos e planejamento da própria morte. A declaração ocorre durante sua primeira visita oficial à França, realizada de 25 a 28 de setembro de 2026.
A agenda do papa inclui compromissos em Paris, Lourdes e Metz, além de uma visita à sede da Unesco. Nesta sexta-feira, ele também participa de uma celebração na Catedral de Notre-Dame, reconstruída após o incêndio de 2019.
As advertências sobre inteligência artificial fazem parte do pontificado de Leão XIV e foram desenvolvidas na encíclica “Magnifica humanitas”, publicada em maio. No documento, o papa afirma que a inovação tecnológica deve permanecer subordinada à consciência humana, à liberdade e ao bem comum.
A viagem ocorre ainda em meio a debates sobre a lei francesa de morte assistida e às consequências de escândalos de abusos sexuais cometidos por integrantes da Igreja. O Vaticano informou que a visita também terá encontros com autoridades religiosas e comunidades católicas do país.
Fonte: G1