Criminosos usam publicações e comentários no TikTok para atrair interessados e vender material de violência sexual contra crianças e adolescentes em grupos, canais e conversas privadas no Telegram, segundo reportagem do g1 publicada nesta sexta-feira (25).
O g1 monitorou por semanas mais de 30 perfis e identificou ao menos 35 links publicados na rede social que direcionavam usuários para páginas, bots e conversas no Telegram. Os envolvidos utilizavam códigos para evitar filtros das plataformas e não divulgaram, de forma explícita, os termos usados na promoção do conteúdo.
No aplicativo de mensagens, os materiais eram oferecidos em pacotes com fotos e vídeos, por valores que começavam em R$ 10. Os vendedores aceitavam pagamentos por criptomoedas e também por PIX, além de enviarem amostras gratuitas ou prévias autodestrutivas antes da conclusão da negociação.
A reportagem identificou diferentes formas de comercialização, incluindo atendimentos automatizados por bots, conversas diretas com os vendedores e miniaplicativos que funcionavam como lojas dentro do próprio Telegram. Em alguns casos, os compradores eram estimulados a divulgar links no TikTok em troca de acesso a novos arquivos.
O uso do PIX não impede a identificação dos envolvidos. Segundo investigadores da Polícia Federal ouvidos pelo g1, as transações deixam registros bancários que podem auxiliar na localização de compradores e vendedores, mesmo quando são utilizadas contas de terceiros ou de pessoas chamadas de laranjas.
O Telegram afirmou que proíbe a distribuição desse tipo de material e informou ter removido mais de 339 mil grupos e canais relacionados ao tema em 2026. A SaferNet Brasil também informou ter identificado 1.093 endereços ativos do Telegram com indícios de material de violência sexual contra crianças e adolescentes em levantamento entregue à Agência Nacional de Proteção de Dados. ([new.safernet.org.br](https://new.safernet.org.br/home4?field_subject_value=Crimes+na+Web))
O TikTok declarou que remove rapidamente conteúdos que violem suas regras, bane as contas envolvidas e comunica casos ao Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas, nos Estados Unidos. A Meta afirmou que utiliza tecnologia para detectar possíveis violações relacionadas à exploração sexual e ao abuso infantil.
A Lei nº 15.487, sancionada em 6 de agosto de 2026, elevou para quatro a dez anos de prisão, além de multa, a pena para produzir, vender ou divulgar material de violência sexual contra crianças e adolescentes. Para adquirir, possuir, armazenar ou solicitar esse conteúdo, a pena prevista é de três a seis anos de reclusão e multa; a legislação também alcança materiais produzidos ou modificados com inteligência artificial. ([planalto.gov.br](https://planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/lei/l15487.htm))
Denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, por delegacias de polícia, pelo Ministério Público ou pelo canal da SaferNet. Em situações de risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.
Fonte: g1