Criminosos estão usando perfis e comentários do TikTok para divulgar, por meio de códigos, a venda de material de violência sexual contra crianças e adolescentes no Telegram. Uma reportagem do g1 monitorou mais de 30 perfis durante semanas e identificou ao menos 35 links que direcionavam usuários para canais, bots, conversas privadas e páginas de venda dentro do aplicativo.
Segundo a apuração, os vendedores oferecem pacotes de fotos e vídeos por valores que começam em R$ 10. Os pagamentos são solicitados por PIX ou criptomoedas, e alguns criminosos enviam amostras gratuitas antes da cobrança para convencer interessados de que possuem o material anunciado.
As divulgações aparecem principalmente nos comentários de vídeos do TikTok. As contas utilizam termos e códigos para tentar escapar da fiscalização e encaminhar usuários ao Telegram, sem que os códigos sejam necessariamente relacionados ao conteúdo visível na publicação.
No Telegram, as negociações ocorrem com o auxílio de bots, diretamente em conversas privadas ou por meio de miniaplicativos que funcionam como páginas de venda dentro da plataforma. A reportagem também encontrou anúncios que incentivavam compradores a compartilhar links no TikTok em troca de acesso gratuito a novos conteúdos.
A SaferNet Brasil informou, em levantamento entregue à Agência Nacional de Proteção de Dados, ter identificado 1.093 endereços ativos no Telegram com indícios de material de violência sexual contra crianças e adolescentes. O mapeamento analisou 14.969 endereços denunciados entre 2017 e 2026 e apontou que, entre os links ativos, havia perfis, robôs, convites, canais e grupos. ([new.safernet.org.br](https://new.safernet.org.br/home4?utm_source=openai))
Telegram e TikTok afirmaram que proíbem esse tipo de conteúdo e adotam medidas para removê-lo. O Telegram disse ter bloqueado centenas de milhares de grupos e canais relacionados a material de abuso sexual infantil em 2026, enquanto o TikTok afirmou que remove publicações, bane contas e encaminha casos às autoridades e ao Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas, nos Estados Unidos.
A legislação brasileira foi endurecida pela Lei nº 15.487, sancionada em 6 de agosto de 2026. A norma elevou para quatro a dez anos de reclusão a pena para produção, venda e divulgação desse tipo de material e estabeleceu punição de três a seis anos para quem adquirir, possuir, armazenar, solicitar ou acessar o conteúdo com finalidade sexual. ([planalto.gov.br](https://planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/lei/l15487.htm?utm_source=openai))
A lei também passou a abranger representações produzidas ou modificadas com inteligência artificial e prevê aumento de pena quando a venda ou divulgação ocorre pela internet, redes sociais ou outras tecnologias digitais. O Estatuto da Criança e do Adolescente ainda responsabiliza quem cria, administra, hospeda ou modera ambientes digitais destinados ao armazenamento ou compartilhamento desse material. ([planalto.gov.br](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069compilado.htm?utm_source=openai))
Especialistas ouvidos pelo g1 alertaram que pagamentos por PIX não são necessariamente anônimos. As transações deixam registros bancários que podem auxiliar investigações, inclusive quando são utilizadas contas de terceiros ou chamadas contas de passagem.
Casos de violência contra crianças e adolescentes podem ser denunciados pelo Disque 100, de forma anônima. Em situações de risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190; denúncias também podem ser feitas em delegacias, no Ministério Público e aos conselhos tutelares.
Fonte: g1