Criminosos usam publicações e comentários no TikTok para divulgar a venda de conteúdo de violência sexual contra crianças e adolescentes em grupos e canais do Telegram, segundo reportagem do g1 publicada nesta sexta-feira (25). A apuração monitorou mais de 30 perfis durante semanas e identificou ao menos 35 links que direcionavam usuários para negociações na plataforma de mensagens.
Os responsáveis utilizam códigos e expressões disfarçadas para tentar escapar da fiscalização do TikTok. Os interessados são encaminhados a bots, conversas privadas ou miniaplicativos dentro do Telegram, onde os materiais são anunciados em pacotes e, em alguns casos, oferecidos mediante pagamentos em criptomoedas ou PIX.
De acordo com a reportagem, os valores encontrados variavam de R$ 10 a dezenas de reais, conforme a quantidade de arquivos anunciada. Antes da negociação, vendedores também ofereciam amostras para convencer potenciais compradores, uma prática que pode configurar aquisição, posse, solicitação ou divulgação de material criminoso.
O Telegram afirmou que proíbe esse tipo de conteúdo e informou ter removido mais de 339 mil grupos e canais relacionados ao tema em 2026. O TikTok declarou que remove rapidamente as publicações, bane as contas envolvidas e encaminha casos às autoridades e ao Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas, nos Estados Unidos.
A Lei nº 15.487, sancionada em 6 de agosto de 2026, elevou para quatro a dez anos de prisão a pena para produção, venda e divulgação desse material. A aquisição, posse, armazenamento ou solicitação pode resultar em pena de três a seis anos, e a legislação também passou a alcançar conteúdos produzidos ou manipulados com inteligência artificial. ([planalto.gov.br](https://planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/lei/l15487.htm))
Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado com base em registros de 2025, apontam 4.063 ocorrências de produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil no país. O levantamento também indica que adolescentes representaram 34,2% dos autores registrados pelas polícias civis, segundo dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. ([publicacoes.forumseguranca.org.br](https://publicacoes.forumseguranca.org.br/items/bb542342-3cf8-47a5-a51d-a0eb911914b9?utm_source=openai))
Denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, de forma anônima, ou à polícia. Em situações de risco imediato, a orientação é acionar o número 190.
Fonte: g1