Ao menos 19 pessoas morreram em ataques de ursos-pardos desde abril de 2026 em regiões do Extremo Norte, da Sibéria e do Extremo Oriente da Rússia. Em Motygino, na região de Krasnoyarsk, moradores relatam a presença diária de vários animais dentro da área habitada.
Segundo relatos locais, guardas florestais e policiais conseguem afastar os ursos, mas alguns retornam pouco tempo depois. A maioria dos ataques fatais ocorreu em Krasnoyarsk, durante atividades como coleta de frutas silvestres, pastoreio, acampamentos e pesca.
Um dos casos mais recentes foi o de Alexander Kuzmenko, pai do jogador de hóquei Andrei Kuzmenko, da NHL. Ele morreu enquanto pescava na república de Tuva, no sul da Sibéria.
O levantamento sobre as mortes foi publicado pelo The Moscow Times. O Ministério de Recursos Naturais e Meio Ambiente da Rússia afirma que encontros entre ursos-pardos e humanos são recorrentes e que cerca de 30 ataques por ano estão dentro do padrão considerado normal.
Um especialista independente em conservação e estudo do urso-pardo, ouvido sob anonimato, classificou a situação como catastrófica e afirmou que os casos divulgados provavelmente representam apenas parte dos ataques.
Dados do Ministério de Recursos Naturais e Meio Ambiente indicam que a população de ursos-pardos na Rússia ultrapassou 307 mil em 2026, mais de 2,3 vezes o número registrado em 1990. Invernos mais amenos, incêndios florestais, a redução de alimentos disponíveis e a busca de novas áreas por ursos jovens estão entre os fatores apontados para o aumento dos encontros.
A administração da fauna silvestre está sob responsabilidade das autoridades regionais, que adotam medidas diferentes. Em Tuva, pelo menos 200 ursos foram mortos em agosto, segundo o Ministério Florestal local, enquanto 11 dos 17 distritos da república entraram em alerta máximo.
Entre as medidas adotadas estão toques de recolher noturnos, restrições de acesso a parques nacionais e o abate de animais considerados potencialmente perigosos. A caça sem licença é ilegal, mas alguns moradores passaram a perseguir os animais por conta própria.
Em partes dos Estados Unidos e do Canadá, contêineres de lixo projetados para impedir o acesso dos ursos aos alimentos são usados para reduzir conflitos. O especialista ouvido pelo The Moscow Times, porém, avalia que a medida não seria suficiente para conter a situação registrada na Rússia em 2026.
Fonte: O Globo