A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) classificou nesta quinta-feira (24) o colapso econômico da Faixa de Gaza como a crise mais grave já registrada no mundo. Segundo a organização, mais de 90% da população em idade de trabalhar está sem emprego.
O PIB per capita de Gaza caiu para US$ 0,58 por pessoa por dia em 2025, 83% abaixo do nível de 2022. No mesmo período, os preços ficaram 274% acima dos registrados antes da guerra.
O relatório da UNCTAD afirma que centenas de milhares de empregos foram perdidos desde outubro de 2023, provocando uma perda estimada de US$ 2,8 bilhões em rendimentos do trabalho. As operações militares também danificaram ou destruíram 92% dos estabelecimentos econômicos do território.
A atividade industrial e a produção agrícola recuaram 94%. Apenas 1,5% das terras cultiváveis permanecem acessíveis e sem danos, o que aumentou a dependência da população em relação à ajuda alimentar humanitária.
Os danos ao setor habitacional foram estimados em US$ 19 bilhões em 2025. A UNCTAD calcula que Gaza precisará de US$ 71,5 bilhões para recuperação e reconstrução, valor que pode aumentar caso novos danos sejam registrados.
O relatório também aponta restrições econômicas na Cisjordânia, relacionadas ao acesso à terra e aos recursos naturais, à expansão dos assentamentos e ao deslocamento forçado. A circulação de pessoas e mercadorias foi limitada ainda mais em 2025.
Segundo a organização, a Cisjordânia precisará de vários anos para recuperar o Produto Interno Bruto anterior à crise, enquanto Gaza poderá levar mais de uma década. A UNCTAD também alertou para o risco de colapso do sistema bancário palestino diante do aumento do endividamento, dos pagamentos atrasados e das restrições ao financiamento de importações essenciais.
Fonte: O Globo