A Polícia Civil do Ceará indiciou três pessoas por homicídio culposo pela morte do empresário João Victor Batista Pinheiro, de 45 anos, durante um procedimento estético em uma clínica no bairro Aldeota, em Fortaleza. O caso ocorreu em 18 de agosto de 2026.
Segundo a corporação, o inquérito foi concluído e encaminhado à Justiça em 23 de setembro. Foram indiciados Michele França Soares Silvestre, dona da clínica e cirurgiã-dentista; Walédya Araújo Lopes Melo, anestesista; e Heraldo Simões Ferreira Filho, cirurgião-dentista.
João Victor seria submetido a um lifting temporal, procedimento destinado a reduzir a flacidez na região das têmporas. Conforme informações da perícia citadas na investigação, ele apresentou complicações após o início da sedação, espumou pela boca e foi submetido a sete ciclos de manobras de reanimação, mas não resistiu.
A defesa de Michele França afirmou que o procedimento não chegou a ser realizado porque o empresário teve depressão respiratória logo após o início da sedação. A profissional disse que foram adotadas medidas para tentar reverter o quadro e que apresentará esclarecimentos nas etapas seguintes da apuração.
Walédya Melo declarou, por meio de sua defesa, que ainda não teve acesso a toda a documentação da investigação e que se manifestará no momento adequado. A anestesista também afirmou ter convicção de que não houve crime e negou a prática de imperícia, imprudência ou negligência.
O advogado da família de João Victor, Alysson Castro, afirmou que o indiciamento reforça a tese de negligência grave no atendimento. Segundo ele, a defesa dos familiares havia solicitado diligências como a preservação de imagens, a oitiva de testemunhas e o envio de documentos aos conselhos profissionais.
O indiciamento é uma etapa da investigação e não representa condenação. O caso ainda será analisado pelo Ministério Público, que poderá oferecer denúncia ou adotar outra medida prevista em lei.
Fonte: g1 Ceará