Uma planilha atribuída ao grupo de hackers ShinyHunters expõe dados pessoais e supostas funções de funcionários do FBI ligados a operações de inteligência, vigilância e contraespionagem nos Estados Unidos, segundo análise da Reuters divulgada nesta quarta-feira, 24 de setembro de 2026.
O arquivo tem cerca de 5 mil linhas e inclui nomes, endereços, telefones, datas de nascimento, números de Previdência Social e contatos de emergência. A planilha também relaciona funcionários a áreas ligadas à China, Rússia, Irã, Hezbollah, inteligência humana e tecnologias de interceptação de dados.
Entre os registros analisados, 14 pessoas aparecem associadas a atividades relacionadas à China e nove a funções ligadas à Rússia. Outros funcionários são vinculados a operações de inteligência sobre o Irã e o Hezbollah, vigilância eletrônica, operações técnicas clandestinas, acesso encoberto e coleta de informações por fontes humanas, conhecida pela sigla HUMINT.
O FBI confirmou que está ciente da alegação de comprometimento do portal FBIJobs.gov e de possível exposição de informações pessoais de funcionários. Em nota divulgada em 23 de setembro, a agência afirmou que ainda não determinou o ponto de invasão e que conduz uma investigação com empresas terceirizadas ligadas ao portal.
A Reuters informou que não conseguiu autenticar toda a planilha. A agência, porém, disse ter confirmado individualmente informações de mais de 22 pessoas por meio de registros de crédito e dados de vazamentos anteriores, além de verificar informações profissionais de oito funcionários em processos judiciais, reportagens e perfis públicos.
Segundo a Reuters, não foi possível confirmar se todas as funções atribuídas aos funcionários são autênticas ou continuam atualizadas. A ShinyHunters afirma ter roubado entre 2 e 3 terabytes de dados, mas essa alegação não foi verificada de forma independente.
Especialistas ouvidos pela Reuters avaliaram que a combinação entre dados pessoais, contatos de familiares e possíveis funções operacionais pode criar riscos de assédio, extorsão e exploração por serviços de inteligência estrangeiros. A exposição de funcionários ligados à HUMINT foi apontada como especialmente sensível.
O grupo afirmou que divulgou os dados para pressionar o FBI a retirar uma declaração feita em maio sobre suas práticas. A agência já havia alertado que a ShinyHunters, em alguns casos, exagerou alegações de acesso a informações para pressionar vítimas a pagar, afirmação contestada pelos hackers.
Fonte: g1