A Justiça de São Paulo tornou réus, nesta quinta-feira (24), sete acusados pelo Ministério Público de integrar uma organização criminosa que receptava, desbloqueava, adulterava e revendia celulares roubados e furtados na capital paulista.
Os denunciados foram alvos da Operação Frankmobile, deflagrada em 10 de setembro pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Eles respondem por organização criminosa; três também foram acusados de falsidade ideológica e dois, de receptação qualificada.
Segundo o Ministério Público, a cadeia investigada envolvia a recepção dos aparelhos, tentativas de acesso a dados bancários das vítimas, remoção de bloqueios de IMEI e iCloud, alteração de componentes, emissão de notas fiscais falsas e revenda dos telefones e de suas peças.
A denúncia foi apresentada em 17 de setembro contra Hugo Araújo Cavalcante, Amine Awada, Henrique Paschoalino Siqueira, Mohamad Abdul Hassan Rkain, Gleice Santos de Matos, Marcelo Lopes da Silva, conhecido como “Macumba”, e José Carlos Nobre Modena.
O Gaeco pediu que os sete permanecessem presos preventivamente. Os promotores apontaram risco de reiteração dos crimes e de interferência na produção de provas. A acusação também requer que o grupo seja condenado a pagar cerca de R$ 90 milhões por danos morais coletivos.
De acordo com a investigação, o esquema era dividido em quatro etapas: roubo ou furto dos aparelhos; receptação e possível acesso a dados das vítimas; desbloqueio e adulteração técnica; e comercialização dos celulares e componentes. Os núcleos poderiam atuar de forma integrada, e os acusados estariam concentrados principalmente nas etapas de alteração dos aparelhos e venda.
O Ministério Público afirma que empresas ligadas a Hugo Araújo Cavalcante movimentaram mais de R$ 60 milhões. Relatórios baseados em informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) teriam identificado movimentações consideradas incompatíveis com o porte declarado dos negócios, além de repasses entre empresas relacionadas, depósitos em dinheiro e pulverização de recursos.
A denúncia também acusa Mohamad Abdul Hassan Rkain, Gleice Santos de Matos e Marcelo Lopes da Silva de usar notas fiscais eletrônicas com informações falsas entre setembro de 2022 e agosto de 2024. Amine Awada e Henrique Paschoalino Siqueira são acusados de receber, em uma loja na Rua Santa Ifigênia, um Samsung Galaxy Z Flip 3 furtado, mesmo sabendo da origem ilícita, segundo o MP.
A denúncia é parcial. Outros alvos de buscas, bloqueios de bens e suspensão de atividades econômicas continuam sob investigação, e o Ministério Público informou que poderá incluir novos acusados no processo. Os réus ainda não foram condenados e terão direito à defesa durante a ação penal.
Fonte: g1