O ginecologista Osmar Trojan, de 82 anos, é investigado por estupro após uma paciente relatar abusos durante consultas realizadas entre 2014 e 2022, em um consultório no Brooklin, na Zona Sul de São Paulo.
Esther Neves, hoje com 27 anos, afirmou que o médico realizou exames sem luvas, tirou fotos íntimas e exibiu vídeos pornográficos durante atendimentos. Segundo o relato, em uma ocasião ele teria sugado seus seios sob a justificativa de verificar uma possível secreção.
O inquérito foi instaurado no 1º Distrito Policial de Itapecerica da Serra após solicitação do Ministério Público. A investigação ainda não foi concluída, e o médico não foi indiciado nem virou réu.
De acordo com Esther, a relação de confiança com o ginecologista começou na infância. Ele atendia sua mãe, realizou o parto da jovem, frequentava a mesma igreja da família e não cobrava pelas consultas, circunstâncias que, segundo ela, dificultaram a percepção de que determinados comportamentos poderiam ser abusivos.
A paciente relatou que os atendimentos incluíam toques que considerava inadequados, sugestões de uso de acessórios sexuais e a exibição de vídeos pornográficos. Ela também afirmou que o médico dizia produzir material de conscientização sobre o câncer de mama para justificar fotografias de seus seios e, posteriormente, de outras partes do corpo.
Esther declarou que só compreendeu o caráter abusivo das situações após iniciar tratamento psicológico. Ela relata ter enfrentado crises de ansiedade, alterações no sono e no apetite e uma internação em 2024. Um atestado médico mencionado na reportagem registra acompanhamento por ansiedade aguda com sintomas somáticos.
Em depoimento à polícia, Osmar negou ter praticado atos de conotação sexual. Ele afirmou que os exames eram realizados na presença da mãe da paciente ou de uma auxiliar e confirmou apenas um exame retal, feito com luvas, por suspeita de endometriose.
O médico também negou ter exibido pornografia e disse que mostrava às pacientes vídeos do YouTube sobre pompoarismo e autoexame das mamas. Sobre as fotografias, afirmou que realizou uma sessão autorizada para uma campanha de combate ao câncer de mama e negou manter imagens íntimas de pacientes.
O advogado Alessandro Fischer Martins Silveira afirmou que a defesa demonstrará a inocência do médico durante a investigação e ressaltou que o procedimento tramita sob sigilo. A defesa também destacou que ainda não houve denúncia recebida pela Justiça e que deve ser respeitada a presunção de inocência.
Fonte: g1