Ir para o conteúdo

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

SEGURANÇA

Dono de escritório relata que Isabelle se sentia sufocada com supervisão do namorado

Dono de escritório afirmou à polícia que Isabelle relatou se sentir sufocada pela supervisão do namorado no trabalho.

Compartilhe
WhatsApp

Rudá Bezerra, proprietário do escritório onde Isabelle Caracristi trabalhou como estagiária em Fortaleza, relatou à Polícia Civil que a jovem dizia se sentir “sufocada” pela forma como o namorado, João Munhoz Neto, supervisionava suas atividades profissionais.

Segundo o advogado Leandro Vasques, que representa Rudá, Isabelle afirmou que João não permitia que ela participasse de audiências sozinha nem executasse tarefas com independência. Ela também teria dito que se sentia presa e sem desenvoltura no trabalho.

Após a reclamação, Rudá teria advertido João e determinado que ele permitisse maior autonomia à estagiária. O proprietário também mudou a posição dos computadores para reduzir a proximidade entre os dois e, conforme o relato, chegou a afirmar que desligaria Isabelle caso a situação não mudasse.

Isabelle foi admitida no escritório em julho de 2026 e pediu desligamento em 17 de agosto, alegando motivos pessoais. Ainda de acordo com o advogado, João deixou posteriormente a gestão da equipe, passou a trabalhar remotamente e pediu algumas vezes que a jovem fosse readmitida.

O relacionamento entre Isabelle e João era conhecido pelo proprietário, que teria conversado separadamente com os dois para orientá-los a manter distância entre a vida pessoal e o trabalho. João não era sócio do escritório, mas atuava na gestão e supervisão de funcionários e estagiários.

Isabelle foi encontrada morta em 13 de setembro, no bairro Aldeota, em Fortaleza. A perícia apontou precipitação voluntária do rooftop do prédio, sem sinais de violência no corpo, mas a Polícia Civil investiga se João praticou violência psicológica ou induziu a jovem a tirar a própria vida.

João está preso preventivamente e é investigado com base em suspeitas relacionadas à indução ou instigação ao suicídio e ameaça. A defesa contesta a prisão, afirma que ele entregou o celular à polícia e ingressou com pedido de habeas corpus. O inquérito continua aberto, com análise de celulares, vídeos e novos depoimentos.

Fonte: g1 Ceará

Leia também