Rudá Bezerra, dono do escritório onde Isabelle Caracristi estagiou em Fortaleza, relatou à Polícia Civil que a jovem dizia se sentir “sufocada” pela forma como o namorado, João Munhoz Neto, supervisionava seu trabalho. O depoimento foi prestado na quarta-feira (23), segundo o advogado do empresário, Leandro Vasques.
De acordo com Vasques, Isabelle afirmou que João não permitia que ela participasse de audiências sozinha nem realizasse atividades profissionais com independência. Ela teria dito que se sentia “presa” e sem desenvoltura para exercer as funções no escritório.
Após a reclamação, Rudá teria advertido João e determinado que ele desse mais autonomia à estagiária. O proprietário também mudou a posição dos computadores para reduzir a proximidade entre os dois e, conforme o advogado, afirmou que poderia desligar Isabelle caso a situação não mudasse.
Isabelle começou a trabalhar no escritório de correspondência jurídica em julho de 2026 e pediu desligamento em 17 de agosto, alegando questões pessoais. Segundo o advogado, João posteriormente solicitou que ela fosse readmitida e deixou de atuar presencialmente na empresa.
João não era sócio do escritório, mas exercia a função de gestor e supervisor da equipe. Isabelle desempenhava tarefas administrativas e participava de audiências como preposta, representante de uma empresa em processos.
Isabelle foi encontrada morta em 13 de setembro, após cair do rooftop de um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza. A perícia apontou precipitação voluntária, mas a Polícia Civil mantém a investigação aberta e apura se João teria induzido ou instigado a jovem a tirar a própria vida.
João está preso preventivamente e é investigado por suspeita de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio e ameaça. A defesa nega irregularidades, questiona a prisão e afirma que ele se apresentou voluntariamente às autoridades.
A Polícia Civil informou que analisa mais de 700 vídeos, além de celulares apreendidos, e ouve novas testemunhas. O Tribunal de Justiça do Ceará declarou que os procedimentos judiciais relacionados ao caso tramitam em segredo de Justiça.
Fonte: g1 Ceará