O dono do escritório onde Isabelle Caracristi estagiou afirmou à Polícia Civil que a estudante relatou se sentir sufocada pela dinâmica de trabalho com João Munhoz Neto, namorado dela e então responsável pela supervisão da equipe. Segundo o advogado Rudá Bezerra, foram adotadas medidas para ampliar a distância entre os dois e garantir mais autonomia à jovem.
De acordo com Leandro Vasques, advogado de Rudá, Isabelle disse que João não permitia que ela participasse de audiências sozinha e supervisionava de forma insistente suas atividades. Ela teria relatado se sentir presa e sem desenvoltura para exercer as funções no escritório.
Após a reclamação, Rudá teria advertido João e dito que Isabelle poderia ser desligada caso a situação não mudasse. Ainda segundo o advogado, o gestor mudou a posição dos computadores para evitar que os dois trabalhassem fisicamente tão próximos.
Isabelle começou a estagiar no escritório em julho de 2026 e pediu desligamento em 17 de agosto, alegando razões pessoais. João não era sócio do escritório, mas gerenciava e supervisionava a equipe, distribuindo tarefas a estagiários e funcionários.
O relacionamento entre Isabelle e João era conhecido pelo proprietário, que teria conversado individualmente com os dois para pedir a separação entre a vida profissional e a pessoal. Após a saída da estudante, João passou a trabalhar remotamente e deixou de gerir as atividades do escritório.
Isabelle foi encontrada morta em 13 de setembro, no bairro Aldeota, em Fortaleza. A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte e apura se João teria induzido a jovem ao suicídio, além de analisar possíveis indícios de violência psicológica e comportamento controlador.
João foi preso preventivamente em 22 de setembro. A defesa dele contestou a prisão e informou que apresentou pedido de habeas corpus. O inquérito permanece aberto, com análise de celulares, vídeos e novos depoimentos.
Fonte: g1