Rudá Bezerra, dono do escritório onde Isabelle Caracristi estagiou em Fortaleza, afirmou à Polícia Civil que a jovem relatou se sentir “sufocada” pela dinâmica de trabalho com João Munhoz Neto, seu namorado e responsável por supervisionar a equipe. O depoimento foi prestado na quarta-feira, 23 de setembro, segundo o advogado do empresário.
De acordo com Leandro Vasques, Isabelle disse que João não permitia que ela participasse sozinha de audiências nem executasse atividades profissionais com autonomia. A jovem teria afirmado que se sentia presa e sem desenvoltura para exercer suas funções.
Após a reclamação, Rudá teria advertido João para que permitisse mais independência à estagiária e chegou a dizer que Isabelle poderia ser desligada caso a situação não mudasse. Segundo o advogado, João pediu que a demissão não ocorresse, e o proprietário alterou a posição dos computadores para reduzir a proximidade física entre os dois.
Isabelle foi admitida no escritório de correspondência jurídica em julho de 2026 e pediu desligamento em 17 de agosto, por questões pessoais, conforme o relato apresentado à polícia. João não era sócio do escritório, mas atuava na gestão e na supervisão de funcionários e estagiários.
A investigação sobre a morte da estudante, encontrada morta em 13 de setembro no condomínio onde morava, na Aldeota, continua em andamento. A perícia apontou precipitação voluntária, enquanto a Polícia Civil apura se João teria praticado violência psicológica ou induzido a jovem ao suicídio. ([agenciabrasil.ebc.com.br](https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-09/policia-investiga-inducao-ao-suicidio-na-morte-de-isabelle-no-ceara?utm_source=openai))
João foi preso preventivamente em 22 de setembro, e a prisão foi mantida pela Justiça do Ceará em audiência de custódia realizada no dia seguinte. O Tribunal de Justiça informou que os procedimentos relacionados ao caso tramitam em segredo de Justiça. ([opovo.com.br](https://www.opovo.com.br/noticias/seguranca-publica/2026/09/23/namorado-de-isabelle-passa-por-audiencia-de-custodia-e-prisao-e-mantida.html))
A defesa de João nega envolvimento na morte e afirma que ele não estava no prédio no momento da queda. O inquérito ainda analisa celulares, mais de 700 vídeos e novos depoimentos, incluindo os prestados pela mãe e pelo irmão do investigado nesta quinta-feira, 24 de setembro.
Fonte: g1 Ceará