Dezenas de representantes de países deixaram nesta quinta-feira (24) o plenário da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, durante o discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. A retirada ocorreu em protesto contra o governo israelense, enquanto parte dos presentes vaiava o líder.
Integrantes da equipe de Netanyahu aplaudiram de pé, e o presidente da sessão pediu ordem no plenário. Ao iniciar a fala, o primeiro-ministro chamou de “covardes morais” os delegados que permaneceram no local e incentivou outras pessoas a deixar a sessão.
Durante o discurso, Netanyahu também criticou Reino Unido e França após acusações de colonialismo contra Israel. Ele afirmou que os dois países foram responsáveis por criar o próprio termo.
O protesto ocorreu em meio ao aumento das críticas internacionais à guerra na Faixa de Gaza e à violência de colonos israelenses na Cisjordânia ocupada. Segundo a AFP, a delegação palestina havia pedido previamente que os 193 países-membros da ONU participassem da retirada.
Antes da chegada de Netanyahu a Nova York, o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, defendeu que os Estados Unidos cumprissem o mandado de prisão emitido contra o premiê pelo Tribunal Penal Internacional. Netanyahu acusou Mamdani de apoiar o Hamas e de incitar tumultos contra judeus.
Netanyahu é alvo de um mandado do TPI por acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade relacionados à guerra em Gaza. Os Estados Unidos não integram o tribunal, e a prefeitura de Nova York não tem autoridade para executar o mandado.
A passagem do primeiro-ministro por Nova York foi breve, com poucas reuniões bilaterais previstas. O gabinete de Netanyahu informou que ele tinha encontros programados com líderes de Argentina, Bolívia, Paraguai, Panamá, Etiópia, Grécia, Eslovênia e Papua-Nova Guiné.
A visita ocorre a poucas semanas das eleições em Israel e em meio ao debate interno sobre as falhas de segurança relacionadas aos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 e sobre a condução da guerra pelo governo Netanyahu. No ano passado, delegações também deixaram o plenário durante o discurso do primeiro-ministro.
Fonte: O Globo