O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) abriu uma sindicância para apurar a conduta do ginecologista Osmar Trojan, de 82 anos, formalmente indiciado por estupro contra uma paciente. O procedimento corre sob sigilo e tramita paralelamente ao inquérito policial.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o médico foi indiciado com base no artigo 213 do Código Penal. A investigação policial foi instaurada no 1º Distrito Policial de Itapecerica da Serra após solicitação do Ministério Público, e ainda não há informação sobre o recebimento de denúncia pela Justiça.
A sindicância do Cremesp é uma etapa preliminar para apurar possíveis infrações éticas. Nessa fase, o conselho pode coletar documentos, ouvir os envolvidos e receber manifestações por escrito; se identificar indícios de irregularidade, poderá instaurar um processo ético-disciplinar.
A denúncia foi apresentada por Esther Neves, hoje com 27 anos. Ela afirma que começou a ser atendida pelo médico aos 16 anos, entre 2014 e 2022, em um consultório no Brooklin, na Zona Sul de São Paulo, e que o ginecologista era próximo de sua família.
De acordo com o relato da paciente, o médico teria realizado exames sem luvas, feito registros fotográficos íntimos, exibido vídeos pornográficos e praticado atos de natureza sexual sob a justificativa de procedimentos médicos. Esther também afirma que passou a compreender as situações como abusivas após iniciar tratamento psicológico e psiquiátrico.
Em depoimento à polícia, Osmar negou as acusações e afirmou que nunca praticou atos de conotação sexual durante os atendimentos. Ele confirmou ter realizado um exame retal e uma sessão de fotografias, mas disse que os procedimentos tinham finalidade médica, ocorreram com autorização e, no caso do exame, com uso de luvas.
A defesa, representada pelo advogado Alessandro Fischer Martins Silveira, também negou as acusações. O advogado afirmou que o médico confia que poderá demonstrar sua inocência durante a instrução, destacou que o inquérito tramita sob sigilo e pediu que sejam respeitados o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência.
Até o momento, não há condenação contra o médico. A apuração policial e a sindicância do Cremesp ainda estão em andamento.
Fonte: g1