O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) abriu uma sindicância para apurar a conduta do ginecologista Osmar Trojan, de 82 anos, formalmente indiciado pela Polícia Civil por estupro contra uma paciente. O procedimento foi instaurado nesta quinta-feira (24), tramita sob sigilo e não representa, por si só, uma conclusão sobre a responsabilidade do médico.
A sindicância é a etapa preliminar de apuração no conselho e pode incluir coleta de provas, manifestação escrita e audiência com os envolvidos. Se forem identificados indícios de infração ética, o caso poderá avançar para um processo ético-disciplinar, no qual denunciante e denunciado têm direito à defesa e à apresentação de provas. ([cremesp.org.br](https://cremesp.org.br/?acao=detalhes_capitulos&cod_capitulo=19&siteAcao=Publicacoes&utm_source=openai))
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, Trojan foi indiciado pelo crime de estupro, previsto no artigo 213 do Código Penal. A pasta informou que as investigações continuam para esclarecer os fatos.
A denúncia foi apresentada por Esther Neves, hoje com 27 anos. Ela afirma que foi atendida pelo ginecologista entre 2014 e 2022, em um consultório no Brooklin, na Zona Sul da capital, e que sofreu condutas de natureza sexual durante consultas, incluindo exames que considerou inadequados, fotografias íntimas e a exibição de vídeos pornográficos.
Esther relatou que conhecia o médico desde a infância e que ele era próximo de sua família, atendia sua mãe e havia feito seu parto. De acordo com a jovem, essa relação de confiança contribuiu para que ela interpretasse inicialmente os procedimentos como parte do atendimento médico.
O médico negou as acusações em depoimento à polícia. Segundo a defesa, ele afirma que nunca praticou atos de conotação sexual durante as consultas, que os exames foram realizados com justificativa clínica e que as fotografias faziam parte de uma campanha de conscientização sobre o câncer de mama.
O advogado Alessandro Fischer Martins Silveira declarou que a defesa confia que demonstrará a inocência do ginecologista durante a investigação. A defesa também afirmou que o inquérito tramita sob sigilo, que ainda não houve recebimento de denúncia pela Justiça e que deve ser respeitada a presunção de inocência.
O caso é investigado pelo 1º Distrito Policial de Itapecerica da Serra, após solicitação do Ministério Público. Até o momento, não há informação sobre denúncia criminal recebida pela Justiça ou condenação do médico.
Fonte: g1