O Crea-SP afirmou que o engenheiro Fabio José de Oliveira tinha obrigação ética de comunicar à Defesa Civil e aos órgãos municipais o risco de colapso identificado durante uma vistoria realizada em fevereiro de 2026 no prédio que desabou na Penha, Zona Leste de São Paulo, em 12 de setembro, matando seis pessoas.
Segundo depoimento prestado à Controladoria-Geral do Município de São Paulo (CGM), Oliveira encontrou rachaduras, falhas nas escadas, divergências entre a obra e o projeto aprovado e sinais de que a construção afetava imóveis vizinhos. Ele também teria alertado sobre o risco de desabamento e recomendado que uma família deixasse a casa atingida posteriormente pela queda.
O engenheiro disse que foi contratado para elaborar um orçamento de recuperação do edifício e estimou que os reparos custariam entre R$ 1,5 milhão e R$ 5 milhões. De acordo com o depoimento, a Construtora New Home informou que teria apenas R$ 670 mil para investir, e a negociação não avançou.
Em nota, o Crea-SP declarou que, diante de risco iminente à vida e à integridade física de terceiros, o profissional deveria ter comunicado a situação às autoridades. O conselho também afirmou que cabe ao município vistoriar edificações, interditar imóveis e determinar a evacuação de áreas de risco, enquanto sua atribuição é fiscalizar o exercício profissional e apurar eventuais infrações éticas.
A CGM abriu procedimento para investigar a atuação de agentes públicos e eventuais responsabilidades relacionadas ao empreendimento. A prefeitura também instituiu uma força-tarefa de fiscalização na região da Penha, com prioridade para verificar licenciamento, segurança e cumprimento de embargos em obras e edificações. ([conselhoparticipativomunicipal.prefeitura.sp.gov.br](https://conselhoparticipativomunicipal.prefeitura.sp.gov.br/web/controladoria_geral/w/cgm-articula-coopera%C3%A7%C3%A3o-t%C3%A9cnica-com-entidades-da-constru%C3%A7%C3%A3o-civil-para-apura%C3%A7%C3%A3o-de-desabamento-na-penha))
O Código de Ética Profissional do Sistema Confea/Crea estabelece como dever dos profissionais zelar pela proteção da vida e da segurança pública. Eventual infração, no entanto, ainda depende de apuração com direito de defesa e contraditório. ([confea.org.br](https://www.confea.org.br/atuacao/etica-profissional))
Procurado para explicar por que não acionou a Defesa Civil, Fabio José de Oliveira não havia respondido até a publicação da reportagem. A New Home afirmou desconhecer o orçamento e a contratação para vistoria e disse aguardar a perícia oficial, que deverá apontar as causas do desabamento.
Fonte: g1