Avatares hiper-realistas gerados por inteligência artificial estão sendo usados no Brasil e no exterior para produzir vídeos em escala, atrair seguidores e gerar receita em plataformas como TikTok, YouTube e Instagram.
Os personagens sintéticos atuam como influenciadores, vendedores e supostos especialistas. A monetização ocorre por meio de anúncios, comissões em marketplaces, divulgação de produtos digitais e negociação de perfis com alto engajamento.
Segundo especialistas ouvidos na apuração, ferramentas de automação permitem adaptar o mesmo roteiro para diferentes idiomas e apresentá-lo por dezenas de avatares. A estratégia explora temas como saúde, história, entretenimento infantil e relacionamentos, frequentemente recorrendo ao medo, à curiosidade e à esperança para aumentar o alcance.
Um dos riscos mais graves está na publicação de orientações médicas sem comprovação. Há relatos de usuários que afirmam seguir tratamentos sugeridos por esses personagens e abandonar cuidados convencionais, segundo a organização Ctrl Z.
A produção em massa também pode ser usada para criar canais com vídeos genéricos e de baixa qualidade, conhecidos como “slop”. No YouTube, conteúdos repetitivos ou produzidos em escala sem valor original podem perder a monetização; a plataforma também proíbe personas de IA que se apresentem como especialistas para oferecer aconselhamento médico, financeiro ou jurídico. ([support.google.com](https://support.google.com/youtube/answer/1311392?hl=pt-BR&utm_source=openai))
O YouTube exige que criadores informem quando um conteúdo realista foi gerado ou alterado por IA e pode aplicar rótulos automaticamente, remover vídeos ou suspender canais que descumpram as regras. A empresa afirma ainda que conteúdos sobre saúde, eleições e finanças podem receber avisos mais destacados. ([support.google.com](https://support.google.com/youtube/answer/14328491?co=GENIE.Platform%3DAndroid&hl=pt_BR-US&utm_source=openai))
O TikTok também exige a identificação de conteúdos gerados por IA e prevê sanções para perfis que violem suas regras, inclusive a exclusão do Programa de Recompensas do Criador. A Meta, responsável por Instagram e Facebook, não comentou o caso.
Para pesquisadores, a responsabilidade não deve ser transferida apenas ao usuário, já que os próprios sistemas de recomendação ajudam a distribuir os vídeos. Eles defendem rótulos visíveis e mecanismos mais eficientes de moderação, especialmente quando o conteúdo envolve saúde, publicidade ou aconselhamento.
O uso de personagens artificiais para obter renda não é, por si só, ilegal. A conduta pode configurar crimes previstos na legislação brasileira quando houver fraude, indução do público ao erro, exercício ilegal da medicina ou falsidade ideológica, conforme a forma de utilização do conteúdo.
Fonte: g1