Avatares hiper-realistas criados por inteligência artificial estão sendo usados para produzir vídeos em escala, atrair seguidores e gerar receita em plataformas como TikTok, YouTube e Instagram, segundo levantamento citado em reportagem publicada em 24 de setembro de 2026.
Os personagens sintéticos atuam como influenciadores, vendedores e supostos especialistas. A monetização ocorre por meio de anúncios, comissões em marketplaces, divulgação de produtos digitais e posterior venda ou reaproveitamento de perfis com alto engajamento.
Pesquisadores ouvidos na reportagem afirmam que a automação permite adaptar um mesmo roteiro para diferentes idiomas e apresentá-lo com dezenas de avatares. A estratégia explora temas como saúde, entretenimento infantil, história e relacionamentos, frequentemente recorrendo ao medo, à curiosidade e à esperança para aumentar o alcance.
Um dos principais riscos apontados está na divulgação de informações falsas sobre saúde. Segundo a organização Ctrl Z, há relatos de usuários que afirmam seguir tratamentos sugeridos por esses personagens e abandonar orientações médicas convencionais.
A produção também pode ser usada para criar vídeos genéricos em grande volume, conhecidos como “slop”, com o objetivo de cumprir requisitos de monetização. Depois de atingir determinado público, os canais podem ser direcionados para a venda de infoprodutos ou, conforme os especialistas, até utilizados em campanhas políticas.
Especialistas afirmam que a evolução dos recursos de imagem, voz e sincronização labial dificulta a identificação do conteúdo artificial, especialmente em telas de celulares. Eles defendem que as plataformas adotem avisos visíveis e mecanismos mais eficazes para identificar e moderar conteúdos sintéticos monetizados.
O YouTube informou que exige a divulgação do uso de mídia alterada ou sintética fotorrealista e pode aplicar rótulos, remover vídeos e suspender canais que descumpram suas regras. O TikTok também disse exigir a sinalização de conteúdos gerados por IA e afirmou que contas infratoras podem perder o acesso ao programa de recompensas. A Meta, responsável por Instagram e Facebook, não comentou.
Na avaliação da advogada Gisele Kauer, o uso de inteligência artificial não elimina a responsabilidade dos criadores. Dependendo da conduta, perfis sintéticos podem estar relacionados a crimes já previstos na legislação brasileira, como estelionato, falsidade ideológica e exercício ilegal da medicina.
Fonte: g1