O escritor canadense de origem haitiana Thélyson Orélien negou ter usado inteligência artificial para escrever o romance C’était ça ou mourir, alvo de acusações na França desde segunda-feira (21). O autor também afirmou ter sofrido ataques racistas após a repercussão do caso.
Publicado no Canadá pela Boréal e lançado na França pela Grasset em 19 de agosto, o livro vendeu cerca de 35 mil exemplares, venceu o Prêmio Fnac e aparece nas listas iniciais de importantes prêmios literários franceses, incluindo o Goncourt.
A suspeita surgiu após a conta anônima “Balance ton Claude”, na rede X, divulgar análises de trechos do romance feitas pelo detector Pangram. Segundo a conta, o sistema classificou repetidamente o texto como produzido por inteligência artificial.
Os resultados, porém, não são considerados prova conclusiva. A Agência France-Presse informou que outras ferramentas apresentaram avaliações divergentes, enquanto a editora Grasset classificou como maliciosas as afirmações que tratam o livro como obra gerada por IA.
Orélien atribuiu as repetições e os ritmos apontados nas análises à tradição literária haitiana e caribenha. A editora canadense Boréal também declarou que mantém a confiança no trabalho do escritor.
O romance acompanha a trajetória de um professor haitiano que deixa o país e atravessa as Américas em direção ao Canadá. A polêmica reacendeu na França o debate sobre autenticidade literária, limitações dos detectores de IA e possíveis vieses na avaliação de textos escritos em variedades linguísticas não padronizadas.
Até o momento, não há comprovação de que o autor tenha utilizado inteligência artificial na redação do livro.
Fonte: g1